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Estou aqui pertinho
E a Fada não quer me ver
E a Fada não quer me ler
Sequer dar o braço a torcer
É que as fadas são perfeitas e nunca magoaram ninguém.

criado por Murilo Gitel
12:01:38Neste exato momento estou em Alvorada, cidade da região metropolitana de Porto Alegre. Graças ao avanço da tecnologia, posso receber o texto de Alex via e-mail e publicá-lo neste instante para os parcos leitores deste blog. Ele encontra-se na bela Salvador e eu aqui, no maravilhosso Rio Grande do Sul, mas estamos conectados e eu sempre me acho embasbacado com este leque de possibilidades de estreitamento de distâncias. Com vocês, meu camarada Alex Jordan.
Arte Gráfica: Zeca de Souza
Nada mudou tanto na minha maneira de pensar, agir e até mesmo de ser visto a entrada no mundo acadêmico. Lembro-me de que via as Faculdades Jorge Amado (FJA) como um grande shopping Center e quase três anos depois, pouca coisa mudou a respeito dessa minha visão, mas mesmo em um shopping se encontra as mais diferentes visões de mundo.
Lembro-me do primeiro dia na faculdade, a impressão que tive de toda aquela gente muito diferente de mim e como me sentia incomodado naquele ambiente. A primeira pessoa que veio falar comigo foi um senhor “baixinho” que me perguntou se eu era comunista. Tal pergunta me deixou muito desconfortado. Estava acostumado a pregar os ideais socialistas em noites de bebedeiras, e por pagar uma garrafa do vinho Regione (a ingestão excessiva desta “coisa”, foi um dos motivos que me fizeram parar de beber) eu me achava o sujeito mais socialista e desgarrado de capital que existia. Nessa época me rotulava punk , assim como o vinho vagabundo de R$1,90, ou a marca de refrigerante que era o símbolo do regime do mal.
Com uma touca vermelha que tinha uma estrela com uma marreta e uma foice pintadas por cima de um esparadrapo, uma camisa com a palavra anarquia bordada, uma bermuda preta e uma sandália que não recordo a cor (também seria pedir demais que eu me lembrasse exatamente de como estava vestido no meu primeiro dia de aula na faculdade) estava eu na segunda fila sem reação. Não me lembro do que respondi na hora. Soube pouco tempo depois, que aquele senhor lutou contra a ditadura militar e viveu durante vários anos na clandestinidade. Assim como ele muitas pessoas me surpreenderam com suas histórias de vida. Ali fui vendo que o estereótipo nos conduz a muitos erros. Uma colega da classe, por exemplo, bela e delicada escrevia roteiros para uma revista em quadrinhos pornográfica. Não a descreverei fisicamente para que os que a conhecem não descubram de quem estou falando e com a convivência fui conhecendo outras pessoas igualmente fantásticas e surpreendentes.
Infelizmente a turma foi diminuindo e um amigo profeta que previu que na formatura levaria todos no seu carro, parece ter acertado mais uma. Resta saber se vai cumprir a promessa.
Com todo esse tempo, eu estou “mais pra lá do que pra cá” como diria minha mãe, posso comentar do comportamento dos estudantes remanescentes. Continuamos agindo elegendo um professor como o carrasco, que não faz outra coisa a não ser tentar nos levar para a prova final. “o professor é o obstáculo entre o aluno e o diploma”, já dizia um dos professores que tivemos. Com a redução da nossa turma as pessoas ficaram mais afastadas o que é curioso, uma vez que no primeiro semestre com todas as brigas, e o grande número de pessoas, éramos unidos.
Não posso deixar de citar frases clássicas como o que é fato social? Houve caso de alunos que sonharam com Durkheim graças a essa pergunta. Ou a complexibilidade fustigante e minimalista de José Saramago, e a pré- história que enfatiza a idade média. Foram muitas as maneiras de se ludibriar os professores, e muitos conflitos com eles também. O último deles foi devido a uns zeros que ganharíamos para garantir que entregaríamos os jornais produzidos. A professora voltou atrás de sua decisão e o jornal não ficou pronto, que dirá distribuído.
A preguiça das férias já me abateu e não quero tão cedo se lembrar de faculdade, então vou encerrar este texto com uma desculpa razoável e um pensamento de que a faculdade não tem que se adequar ao aluno, isso seria impossível apesar do nosso desejo, mas sim dá condições para o nosso aprendizado.

criado por Murilo Gitel
11:39:59
Foto: Murilo Gitel
Árvore de natal da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.
Faz um calor infernal no Rio Grande do Sul. Nesses seis dias em que Livia Machado e eu estamos aqui, o sol só se põe por volta das 20h, porque ao contrário da região Nordeste, vigora o horário de verão. Os bares ficam lotados até o final da noite e os dias são assim mais longos. Ainda não tomei vinho, apenas cerveja, mas o contato com a bebida mais tradicional da Serra Gaúcha vai ocorrer nos próximos dias, quando estaremos em Gramado e Bento Gonçalves.
O natal no Rio Grande do Sul foi o mais violento das últimas duas décadas, sobretudo quando o assunto são as mortes no trânsito na região metropolitana da capital dos gaúchos. As barbaridades de boa parte dos motociclistas são um verdadeiro perigo para a população, a mercê da insegurança.
Foto: Murilo Gitel
Êh, coisa boa... Churrasco à gaúcha na casa dos meus avós: carne bovina e suína, galinha assada, salsichão e pão cacetinho com alho.
Em Alvorada - cidade da Grande Porto Alegre, onde fui criado, muita coisa mudou. Há um belo pórtico simbolizado pelo sol na entrada da cidade, com os dizeres: "Capital da Solidariedade". O comércio está sendo muito mais explorado do que há quatro anos, quando fui morar na Bahia. Em 2003, havia apenas um banco, o Banrisul, mas, atualmente, todos os grandes bancos estão localizados entre as paradas 46,47 e 48, em suma, no centro da cidade.
Foto: Murilo Gitel
Na noite deste natal, Lívia Machado, meu padrinho Murilo Lopes e minha tia Fabiana Inácio estivemos no estádio José Pinheiro Borda, mais conhecido como Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre. O relógio do centenário (foto) assinala os dias faltantes para o centenário do meu Sport Club Internacional, que irá ocorrer em abril de 2009. Confesso que fiquei bastante emocionado ao poder retornar ao local onde passei boa parte de minhas tardes de domingo, nos idos de minha infância e início de juventude, sempre torcendo pelo colorado gaúcho.
LEIA MAIS E VEJA AS FOTOS AMPLIADAS NO FOTOLOG "UM BAIÚCHO NO RIO GRANDE"

criado por Murilo Gitel
14:21:22
Arte Gráfica: Zeca de Souza
Por Alex Jordan
Semana passada eu percebi que a frase “os bonzinhos só se f*” é a mais pura e triste verdade. (Pelo menos na grande maioria das vezes.) Não estou fazendo apologia a maldade, longe de mim, mas é um fato que na contemporaneidade tornou-se lei. Ou você ferra alguém ou alguém se encarrega de te ferrar. Consigo até Imaginar uma daquelas vozes de filmes de ficção explicando:
-É preciso manter o equilíbrio, ou você ferra ou será ferrado. Tipo a regra “Dois homens entram. Um homem sai” do filme clássico dos anos 80 ‘Mad Max Além da Cúpula do Trovão’.
Gostaria de não mencionar o que ocorreu, até porque este ambiente de trabalho me proporcionou bons momentos, talvez nenhum outro emprego me faça tão bem quanto ele me fez. De vez em quando, discordava de algumas coisas o que é natural. Porém este espaço foi criado para que eu escrevesse as coisas que me irritam, chateiam ou sei lá o quê. Um divã virtual do qual o simples fato de externar minhas mazelas me deixe melhor. E para passar a raiva não faria sentido não escrever o ocorrido.
Estava pela rua quando meu celular tocou, era um amigo de ex- trabalho me chamando para ir para a festa de confraternização. Relutei muito para ir, mas ele disse que tinha uma cesta com meu nome e que deveria buscar. Avisei que iria se o mequetrefe fosse (que saiu 10 dias antes de mim do estágio), fiz o convite a ele também e após muita insistência da minha parte fomos.
No meio do caminho descobri que diferente da cúpula do trovão, dois homens nem sequer entram. Ficamos sem ação ao não permitirem nosso acesso. Há um mês ainda prestávamos serviços. Algumas semanas depois do termino do contrato não podíamos sequer ir a confraternização. Não nos interessava a festa, mas a oportunidade de rever muitos amigos que em um ano fizemos.
Para não perder a viagem resolvi desafiá-lo para uma partida de futebol no Playstation 2. A antiga locadora que costumávamos jogar não existia mais. Foi então que o Mequetrefe resolveu perguntar a um garoto que nos conduziu pela rua até chegar em um beco. Ficamos parados no portão. Um homem gritou do outro lado “o que vocês querem” no susto saiu apenas uma palavra, “jogar” que sinceramente não sei quem a emitiu. O homem abre o portão e manda a gente subir as escadas.
Quando chegamos lá os três videogames estavam ocupados. Liguei conversei com dois amigos que ainda continuam trabalhando lá. Conversamos um pouco na calçada já que não podíamos entrar éramos “Ex-estagiários” agora.
Uma hora depois estávamos jogando e para piorar o dia, apesar de está jogando melhor, sai perdendo. Uma outra regra bastante conhecida no país do futebol, Seja no campo, na quadra ou de videogame, quem não faz leva. Apesar da minha derrota não ouvir a zombaria que escutava nas raríssimas vezes que perdia, (para fala a verdade perdi mais do que ganhei) acho que não sobrou animo para comemorar a vitória. Pouco tempo depois soube que muitos ex estiveram presentes na festa. Também isso não importa, espero apenas não ser barrado quando for fazer uma visita aos amigos que trabalham lá.

criado por Murilo Gitel
10:59:29
Ao lado da baianíssima Lívia Machado, também estudante de Jornalismo, irei realizar uma série de reportagens para o blog.
"Deu para ti baixo astral/ Vou pra Porto Alegre, tchau". A viagem está marcada para às 15h30 (horário de Salvador) e a chegada na capital gaúcha está prevista para às 21h50 (horário de verão). Depois de quatro anos morando na Bahia e sem ter tido a chance de retornar a minha terra natal, chegarei nas próximas horas ao estado que me deu à vida, junto aos meus parentes e amigos que me viram crescer.
Ao mesmo tempo, juntamente com Livinha, irei realizar uma série de matérias mais do que especiais tanto para o blog quanto para o fotolog. Além de Porto Alegre, vou revisitar Gramado, Bento Gonçalves, Alvorada e provavelmente Buenos Aires-ARG. Não tenho dúvidas de que será uma jornada muito enriquecedora para o meu futuro na profissão.
Foto: Murilo Gitel - Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, em Salvador, na tarde desta quarta-feira.
Portanto, independentemente da viagem, as postagens aqui no blog permanecem à todo vapor. Vocês que ficam nessa cidade maravilhosa, apesar de todos os problemas, chamada Salvador, um até logo. Os meus pensamentos sobre o mundo vocês conferem neste endereço eletrônico, como sempre. Dia 10 de janeiro nos vemos pessoalmente para matar a saudade e botar o papo em dia. Muito obrigado!

criado por Murilo Gitel
10:49:36