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Foto: Murilo Gitel - Professores de Publicidade e Propaganda, e Jornalismo tiveram que interromper as aulas.
Cerca de 60 estudantes do curso de Comunicação Social das Faculdades Jorge Amado realizaram protesto na frente da sala da coordenação, na noite desta quinta-feira, 28, inconformados com as lotações das turmas, deficiência na estrutura técnica da instituição, demissão de professores e o projeto de Ensino à Distância. Os alunos deixaram de assistir as aulas, colocaram cadeiras nos corredores do quarto andar do prédio anexo das FJA e gritaram palavras de ordem contra as coordenadoras Mônica Costa e Luciana Neto.
Tudo começou quando a aula da disciplina Documentário foi interrompida por alunos do sexto e sétimo semestre de Jornalismo (as duas turmas assistem a mesma aula juntas), que exigiram a presença da coordenadora para cobrar providências. Quando Costa chegou, estudantes e coordenação não se entenderam na conversa e os gritos e ironias tomaram conta da discussão.
Após ser ironizada, Mônica Costa ameaçou se retirar da sala-de-aula, exigindo desculpas: "Não estou aqui para ser ironizada, só volto se me pedirem desculpas". Em contraponto, um aluno disparou: "E quem vai pedir desculpas ao professor José Carlos Peixoto, demitido injustamante?" O mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia foi demitido por Costa no final do semestre passado, por ser contrário ao EAD.
Em seguida, a coordenadora do curso afirmou que todos os procedimentos das Faculdades Jorge Amado são feitos na legalidade. Como resposta, recebeu outra direta dos estudantes: "Quem vai dizer se as demissões massivas de professores nas FJA são legais ou não é o Ministério Público do Trabalho, que abriu inquérito para investigá-las". O clima só foi apaziguado quando as lideranças das turmas de Comunicação Social foram chamadas à sala da coordenação para reivindicarem formalmente as melhorias exigidas pelos alunos.
Foto: Murilo Gitel - A coordenadora Mônica Costa, de óculos, alegou desconhecer boa parte dos problemas apresentados pelos estudantes.
O "inchaço" das turmas tem o prazo de uma semana para ser solucionado pelas FJA, do contrário, os estudantes prometem fazer uma manifestação organizada que deve interromper as aulas na instituição e até mesmo parar o trânsito na Avenida Paralela. Alguns alunos ameaçaram entrar com ação no Ministério Público contra o que classificam como "imposições autoritárias" das Faculdades Jorge Amado, vendidas recentemente para um centro universitário norte-americano pelo valor de R$25 mi. As aulas serão retomadas normalmente nesta sexta-feira, 29.

criado por Murilo Gitel
16:29:13
Todos nós sabemos da maneira mais do que peculiar com que os baianos se comunicam diariamente, por meio da linguagem. A própria pronúncia do alfabeto por esta terras é maravilhosa, singular e única. Como estou aqui há mais de quatro anos, evidente que tive de adquirir todas as edições do "Dicionário de Baianês", do carioca Nivaldo Lariú para não morrer de fome entre um povo que chama calçada de "passeio", grampo de cabelo de "mice" e futebol de "baba"...
Portanto, o blog inaugura a seção "Baianês", a fim de que os leitores de todo o Brasil e especialmente do Líbano - onde tenho uma média de 22 leitores/dia (fonte: Terra), possam aprender um pouco mais dessas variações linguísticas que fazem do nosso país uma nação verdadeiramente rica no âmbito cultural.

criado por Murilo Gitel
12:34:47"E quem pedirá desculpas ao professor José Carlos Peixoto por tê-lo demitido injustamente?"
Do blogueiro, na noite desta quinta-feira, depois que a coordenadora do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, Mônica Costa, afirmou que só retornaria à sala-de-aula se a colega que a ironizou pedisse desculpas. Perguntei a ela, que não soube (?) responder.

criado por Murilo Gitel
12:19:29

por Eduardo Ribeiro
No auge da Ditadura Vargas tornou-se comum, no País, a prática consagrada pelo velho DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda de "comprar" os jornalistas dos principais veículos com um segundo emprego no Estado - em geral melhor remunerado do que no jornal. Desse modo, o mesmo jornalista que de manhã escrevia o release do governo, à tarde o editava no jornal em que trabalhava e estávamos conversados. Com isso, poucas vezes em nossa História tivemos uma imprensa tão manipulada e adestrada aos interesses do poder, como naquela época. Era realmente uma vergonha e uma desmoralização não só para os profissionais, como para o próprio jornalismo, visto com justificada desconfiança pela sociedade.
Isso melhorou muito desde então, mas foi a partir da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional que o jornalismo no País ganhou credibilidade e deslanchou. Há um grande questionamento em relação a isso, hoje em dia, sobretudo depois da precipitada decisão da Justiça de conceder uma liminar contra essa obrigatorieade, mas é inegável que ela foi benéfica em vários sentidos para o jornalismo - inclusive por acabar com a história do compadrio, da troca de favores, do uso da carteirinha para fins escusos, dos vergonhosos salários, etc. Podemos ser contra ou a favor da obrigatoriedade, da rediscussão de caminhos para o acesso à atividade profissional, etc., mas é inegável que a exigência de formação superior trouxe para o jornalismo mais benefícios que prejuízos (embora estes também existam, sobretudo pela transformação do diploma numa commoditie e pela proliferação de faculdades sem qualificação pra formar profissionais competentes).
Mas esse é tema para outro artigo e (inflamados) debates numa outra oportunidade. Aqui, a proposta é refletir realmente sobre um tema que continua a atormentar aqueles que defendem uma imprensa livre, transparente, ética e capaz de exercer seu poder de crítica e fiscalização. É correto, é ético um profissional atuar numa assessoria de imprensa e num veículo de comunicação ao mesmo tempo? Nos momentos em que estive próximo às discussões no âmbito dos sindicatos dos jornalistas me lembro que chegávamos até a aceitar esta
hipótese, desde que as atividades se dessem em áreas diferentes (esporte e política, por exemplo), de tal modo que ficasse clara a inexistência de vínculos promíscuos. Mas essa prática, sobretudo quando o mesmo profissional atua nas duas pontas, numa mesma atividade sempre foi profundamente condenável. Sempre a condenamos, na história do segmento de assessoria de imprensa, por considera-la imoral e inaceitável dentro do jornalismo. A pessoa que faz um release, ou assessora uma ou várias empresas, não pode ser também profissional de redação, sobretudo se tiver um cargo que lhe permita manusear e editar informações da área em que faz assessoria. Mais condenável ainda é o profissional que está em redação e cria, paralelamente, uma assessoria para atender (formal ou informalmente) fontes de informação na qualidade de clientes. É um despautério, para falar o mínimo. Caso de polícia mesmo.
Todos sabemos que em várias regiões os salários, no jornalismo, também são uma vergonha, obrigando centenas de profissionais a buscar uma segunda e até uma terceira colocação, para sobreviver. Isso, no entanto, não justifica, sob qualquer hipótese, que ele se deixe corromper, valendo-se de sua condição de jornalista para auferir benefícios espúrios.
Os jornalistas, em seus vários fóruns têm lutado muito contra isso, por saber o perigo que traz para a imagem do jornalismo e para o próprio fortalecimento da democracia. Mas é ainda mais comum do que podemos imaginar a prática de pagar jornalistas (regularmente - via jetons ou mesmo salários) para abrir espaço para personalidades, empresas e autoridades governamentais. E é uma prática que vem a reboque dos baixos salários, da falta de visão empresarial de grande parte dos donos de veículos de comunicação, e de uma situação até cultural por nós vivenciada há décadas. Eu até compararia com a situação dos policiais, que ganhando um salário indecente, mostram-se vulneráveis nesse sentido.
Não quero aqui posar de moralista, mas considero importante trazer para nossa reflexão um tema que ainda muito nos incomoda. Em o faço motivado pela carta que recebi de uma colega de Brasília relatando o que lá - em plena Capital Federal - tem acontecido nesse sentido. E se for tudo verdade é uma vergonha. E cabe aos colegas que atuam em Brasília lutar para desmontar esquemas tão desmoralizantes. Diz a colega: "Está tendo uma epidemia aqui no mercado de Brasília, que considero uma vergonha. Gostaria de, reservadamente, saber sua opinião a respeito. Vários jornalistas de veículos estão abrindo assessorias de imprensa e atuando nas duas áreas simultaneamente.
1 - As representantes da revista... acabam de abrir uma assessoria de imprensa. Atendem personalidades da cidade e escrevem para a revista.
2 - Uma outra colega mantém uma coluna cultural numa importante emissora de tevê e tem uma assessoria especializada no mesmo segmento que cobre jornalisticamente: e "por mera coincidência" quase a totalidade do espaço de seu programa é dedicado aos seus clientes.
3 - Um outro colega, da área automotiva, tem coluna em dois veículos e - surpresa! - tem também sua empresa de assessoria de imprensa." Como a colega quer a minha opinião, eu digo que essa é uma situação realmente inaceitável e o mercado tem de combater com dureza, tanto em nome do próprio jornalismo quanto da boa prática de assessoria de imprensa. Temos aí o Código de Ética dos Jornalistas, aprovado em Congressos da Fenaj, e o próprio setor das agências de comunicação também têm o seu, aprovado recentemente em assembléia geral. São fóruns que estão aí exatamente para ajudar a coibir práticas inaceitáveis - seja em relação ao jornalismo, seja em relação ao negócio assessoria de imprensa.

criado por Murilo Gitel
11:42:47
Foto: Fernando Vivas/Agência A Tarde
Ação da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), que demoliu o terreiro Oyá Onipo Neto nesta quarta-feira, 27 de fevereiro foi inconstitucional, de acordo com o o Promotor do Ministério Público Almiro Sena, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate à Discriminação. Sena ouviu a Yalorixá Rosalice do Amor Divino, Mãe Rosa, nesta quinta-feira, no MP. A Prefeitura Municipal de Salvador sequer abriu negociação antes de autorizar a demolição promovida pela Sucom.
Os grupos de Movimentos Negros fazem vigília no terreiro Oyá Onipo Neto neste momento e prometem realizar uma manifestação ainda sem data e local definidos. Apenas para refrescar a nossa memória: em 2007, o prefeito João Henrique, certamente com saudades do período da ditadura, censurou judicialmente a primeira edição da Revista Metrópole, que criticava duramente à administração do gestor. Evangélico, JH não comparece a festas tradicionais dos adeptos do Candomblé na capital baiana. Espero que ele tenha uma boa explicação para o recente ocorrido...

criado por Murilo Gitel
16:08:35