Blog do Murilo Gitel

Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.

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Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.
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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

30.05.08

Singelo Menestrel

O Blog apresenta nesta sexta-feira (30) um dos mais belos sambas de Dudu Nobre e da Música Popular Brasileira

Lalalaia lalalaia lalalalalalalalalalala
Grande festa no barraco do nêgo João
Pandeiro, cavaco, viola
Sob a luz do lampião (grande festa.......do lampião)
De alegria dona Maria chorava
Para o bebê que nascia
Aquela gente cantava
Mesmo a pouco leite, a pouco pão
Aquele bebê foi crescendo
Vencendo as barreiras desse mundo cão
Fascinado por pandeiro, cavaquinho e violão
Com suaves sinfonias no piano do patrão

Aquele neguinho que andava
Descalço na rua e ao leo
Assobiando Beethoven, Chopin
Porém, preferindo Noel
Foi assim se trasformando
Num singelo menestrel

No barraco na favela
Pra esquecer o desamor
Escrevendo à luz de vela
Mais uma canção de amor
La la la ia

Singelo Menestrel no Youtube

29.05.08

Acarajé, direita e esquerda por Aninha Franco


A dramaturga, advogada e escritora Aninha Franco.

Texto publicado na sétima edição da Revista Muito, do Grupo A Tarde.

"Esquerda e direita na Bahia diferem gastronômica e misticamente. A esquerda come acarajé com pimenta em Cira. A direita prefere acarajé com caruru em Dinha"

As diferenças entre direita e esquerda foram assentadas na Revolução Francesa e destrinchadas em Rumo à estação Finlândia, livro de Edmund Wilson. Lênin desembarcou na estação Finlândia em 1917 e assumiu o mais importante poder de esquerda do mundo até 1992, quando a União Soviética pediu dinheiro ao extremo-capitalismo do FMI pós-queda do Muro de Berlim em 1989.

No Brasil, até 1986, as histórias eram mais simples: quem era de direita mandava bater e quem era de esquerda apanhava, e pelo menos dois golpes de Estado foram aplicados sob a alegação de que a esquerda queria trocar de lado. Para a esquerda a direita era má, corrupta e comia operários; para a direita, a esquerda era má, comia criancinhas e usava cuecas samba-canção, homônimas do gênero musical que usava versos como “você há de rolar como as pedras que rolam na estrada” que me remete sempre a “pedra que muito se muda não cria limo jamais.”

Quando as duas maravilhas do mundo à esquerda — Muro de Berlim e União Soviética — caíram, esquerda e direita se embaralharam pelo planeta, e hoje é preciso muita perspicácia para perceber as diferenças. O poeta Giorgio Gaber aponta como a dessemelhança mais profunda entre direita e esquerda italianas o fato de a direita tomar banho de banheira e a esquerda preferir a ducha. Esquerda e direita na Bahia diferem gastronômica e misticamente. A esquerda come acarajé com pimenta em Cira. A direita prefere acarajé com caruru em Dinha.

Quando a esquerda vence, festeja a vitória no Largo de Santana, território de Dinha, patrimônio da Bahiatursa, parte da “herança maldita” que direita e esquerda usam com a mesma veemência ao fim dos seus mandatos. Os terreiros que direita e esquerda freqüentam são tão confidenciais quanto os gastos dos cartões corporativos da presidência da República, por isso poucos sabem se eles ficam em Salvador ou no quadrilátero dos terreiros, em Lauro de Freitas. E onde há ebó, dossiê não progride. A esquerda baiana pretende exterminar a “Era do balangandã” inaugurada pela direita na Igreja do Bonfim, com lavagem em data imprecisa, que antropólogos de esquerda e de direita reivindicam em meio a calundus de centro...

Os especialistas em baianidades garantem que existe uma extrema-esquerda feminina na Cidade da Baía que mija em pé, como as freiras da Lapa que eram, em sua maioria, de extrema-direita. O fato delas mijarem em pé está garantido no cancioneiro popular de “as freiras da Lapa só mijam em pé, não mijam sentadas porque não quer”... Do resto eu não sei... Conta a lenda que a Baía é a cidade das mulheres...

Salvador lidera índices de desemprego no país

Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada nesta semana pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), aponta que 379 mil pessoas - das 1,8 milhão que compõem a população economicamente ativa da capital baiana estão desempregadas na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A taxa de desocupação em abril foi 20,08%, após uma redução de 0,2% em relação a março. O índice na RMS continua sendo a mais alta entre as seis principais metrópoles do país.

Leia mais

Tem mais aula de Baianês no Eu Mereço de hoje!


 Arte Gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba

Por Alex Jordan*

"Não é raro vermos casais aos beijos fazendo juras de amor do tipo: 'eu te amo minha porrinha'. Exagero meu? Não, nem um pouco"

No último texto, “Mequetrefe” me chamou a atenção para uma palavra que caracteriza bem o soteropolitano. Não, não é preguiça a palavra citada nessa introdução do Eu Mereço. Várias palavras ficaram de fora, como “zignow”, “reggae” e “baba”. Mas este termo a que me refiro representa bem o linguajar desse povo: eu falo da “porra”!
Nem de perto outra palavra é tão usada em diversas situações quanto à porra. Em outros lugares, este pode ser um “nome feio” (quando eu era criança e tentava descobrir o que era porra, a resposta era sempre: é um nome feio ou palavrão). O certo é que em Salvador virou sinônimo de coisas que ninguém poderia imaginar.
A torcida do Esporte Clube Bahia, por exemplo, apelidou o time carinhosamente de “minha porra”. O que para muitos é um ato de loucura, passa despercebido na cidade, já que a última associação que se faz da porra é com o seu sentido denotativo. Não é raro vermos casais aos beijos fazendo juras de amor do tipo: “eu te amo minha porrinha”. Exagero meu? Não, nem um pouco.
Há duas semanas, houve uma discussão na sala de aula a respeito do que realmente significava porra. Em respeito à dignidade, honra e valores morais da família brasileira, não divulgarei os possíveis significados levantados. Só digo que depois de muitas palavras tidas como de baixo calão, muitos presentes souberam o real significado da palavra.
Não fui o primeiro a perceber essa força da porra no vocabulário salvadorense. O primeiro a expor essa constatação, pelo menos que eu saiba, foi o humorista e compositor Renato Fechine. Em um programa de rádio, muito inteligente por sinal, ele trabalhava de forma bem caricata os estereótipos do povo de Salvador. Em um desses quadros, ele começou a definir o que era a porra. Classificou-a nas mais variadas classes gramaticais e até conjugou a porra. De verbo, foi para advérbio de lugar, e por aí fez um passeio pela gramática.
O uso de palavras que eram antes proibidas de ser pronunciadas e agora tem um significado positivo, não é exclusividade da terra do acarajé. Desta vez, vou direto ao assunto. Puta, por exemplo, que antes era apenas uma palavra que nomeava as mulheres de vida fácil (êta eufemismo da porra esse), aquelas mesmas em que a sociedade nem divide a mesma calçada, mas que nas horas de carência as procura de braços abertos (e não só os braços. Hoje em dia, quando algo é fabuloso, sai naturalmente a palavra puta.
Uma vez, eu estava assistindo a MTV, antes de se transformar em EMOTV, e o apresentador Edgard Piccoli chamou a matéria de Marisa Monte. Ao final da matéria, Edgard comenta:
-Marisa é uma “puta Cantora”.
Na época, a emissora era voltada para um público jovem, acostumado com esta linguagem e que sabia o que fazer. Certamente, se minha mãe estivesse assistindo a matéria iria fazer um longo discurso. Colocaria mesmo que sem a intenção, a questão da inversão de valores na conversa. Era o que ela sempre fazia quando via Gordo Freak Show e João Gordo mandando todo mundo tomar no lugar do qual eu não preciso escrever não é? Até agora, esse texto se manteve com uma linguagem decente, não tenho motivos para mudar isso no final.
Não é da conta de quem lê esta coluna, mas estou esgotado por causa de uma gripe que, desde domingo, insiste em não me deixar, além de causar dor de cabeça e febre noturna. Iria finalizar o texto com um “não quer saber, vá a porra!”, só que seria muito previsível. Como ficar olhando para essa tela só piora minha dor de cabeça, então, finalizo com uma recomendação curiosa: copie e cole o texto no Word. Atotô!

*Estudante de jornalismo das Faculdades Jorge Amado, em Salvador. Colaborador do blog desde 2007.

Esqueçam às FJA: agora será CU-JA

Desculpem meu jeito escroto de ser, mas eu não resisti. Quando uma fonte minha mais do que confiável me confidenciou que a novidade irá estourar nos próximos dias, não teve jeito. Imaginem que as Faculdades Jorge Amado trocará de nome. A nova nomenclatura da instituição de ensino superior de Salvador será Centro Universitário Jorge Amado (Ceja). Logo, a licença poética do título é criação do blogueiro mesmo.

As questões são: em quê a mudança de Faculdades Jorge Amado para Centro Universitário Jorge Amado (CU-JA) irá implicar na vida acadêmica de nós, alunos?

O certo é que a troca estaria sendo feita para que a direção das FJA passe a ter mais facilidades para aprovar cursos do próprio interesse, ganhando mais independência em relação ao Ministério da Educação (MEC).

Dessa forma, o tão cobiçado curso de medicina deverá ser implantado ainda em 2009.

Sabemos que este é o curso "menina dos olhos" para os diretores da instituição, pois é mais rentável.

Posso imaginá-los sonhando com as cifras que serão despejadas nos bolsos dos mesmos. E olhem que eles já estão com os Cu-Jas deles cheios de dinheiro.

"Homem primata/capitalismo selvagem/ôôô..."