Blog do Murilo Gitel

Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.

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Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.
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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

30.06.08

Diversidade

 Foto: Murilo Gitel - 28/06/2008


Cerca de 2 mil Osasquenses curtiram o show de Fábio Jr.

A exemplo do que ocorre em Salvador, a diversidade musical é uma das características marcantes aqui de São Paulo. Prova disso foi o último final de semana, quando uma série de shows de diversos segmentos de nossa música sacudiram a capital paulista. Em Osasco, onde estou até o dia 3 de julho (quando retorno à Bahia), a prefeitura promoveu um show gratuito com Fábio Júnior. O evento marcou a inauguração da Avenida João Goulart. Cerca de 2 mil pessoas encararam o frio para ver de perto o intérprete/galã.

Duas coisas: a promoção do evento foi extremamente eleitoreira, haja vista que o prefeito Emídio é candidato a reeleição, somada ao fato de que, segundo boa parte da população, com a qual eu tive a oportunidade de conversar, shows de caráter nacional, gratuitos, não foram constantes durante os últimos quatro anos cá na cidade...

Por outro lado, é muito bacana quando as camadas mais desfavorecidas socialmente podem ter acesso a atrações como esta. É um direito previsto na Constituição, inclusive.

De sábado para domingo, artistas como Ana Carolina, Lô Borges e Ney Matogrosso também se apresentaram nos palcos de Sampa. A força do pagode local foi representada pelos grupos Art Popular e Pique Novo, enquanto a bandeira sagrada e profana do samba foi defendida pela imortal Dona Ivone Lara, acompanhada dos mestres Luís Carlos e Martinho da Vila.

Bom demais!

27.06.08

Sentimento Nú


O grupo Sensação, um dos mais respeitados do samba de SP.

Composição: Carica e Prateado

É!
Tudo era azul
Sentimento nú
Um amor fiel
Todo só prá nós
Nada mais restou
No meu coração
Um vazio de solidão...

Foi duro ficar
Sem você, sem você
Sozinho à chorar
Sem você, sem você
Um mundo sem luz e sem cor
Mil noites sem prazer
Meu corpo acostumou
É hora de saber
Que o sonho acordou...

Eu não quero mais sofrer
Vou provar que sou capaz
Fiz um samba prá dizer
Que eu já não te amo mais

Ouça o samba

Menos pior

Chamado para gerir a crise do curso de Comunicação Social das Faculdades Jorge Amado, há dois meses, depois da 'licença forçada' da então coordenadora Mônica Costa, o coordenador e professor Bernardo Carvalho conseguiu dar conta do recado durante o pouco tempo em que assumiu a função.

Dele, ninguém esperava mágicas. Estava bem claro que ele viria com a missão de bombeiro. Quando procurado pelos alunos, resolveu os problemas com soluções práticas, em vez das enrolações esquizofrênicas que estávamos acostumados desde às duas últimas gestões. Herdou o que conhecemos em política como 'herança maldita' e nada pôde fazer contra ela, pois o estupro pedagogico do semestre 2008.1 incluiu oito disciplinas no currículo, com o acréscimo de Metodologia da Pesquisa na fracassada implantação do Ensino à Distância.

O novo coordenador não ameaçou processar os alunos que criticaram o que viram de errado no curso, tampouco sacaneou colegas de profissão, nem demonstrou surtos de esquizofrenia e/ou arrogância diante dos estudantes.

Ele é menos pior do que a outra.

É um alento.

No Metrô

Mulheres experientes de sexualidade reprimida flertam com os jovens

Os homens dormem

As crianças conversam

As paisagens cinzas e poluídas se consomem

O barulho do vento pressiona a fragilidade do ouvido

Estudantes, esforçados, não-filhinhos de papai lêem

teorias que jamais lhes servirão

Garotas se agarram aos beijos

Chegamos à Estação Jabaquara

Eu Mereço


Arte Gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba

Por Alex Jordan* - de Salvador

Seria falta de coração da minha parte rir da miséria dos outros? E o que fazem alguns de vocês que lêem o que escrevo, além de rir da minha miséria? Chegou a minha vez de rir, o pior é que não achei a mínima graça, pois a miséria deles é a minha também.
Desde a implantação da disciplina metodologia em EAD, da qual eu já avisava que seríamos cobaias de uma experiência mal sucedida, cheguei a esta conclusão. O professor, por sinal, contestou a minha afirmação e no final das contas o que vi foi meu e-mail cheio de mensagens dos colegas, reclamando de erro de notas e de falta de informação.
Eu poderia simplesmente dizer: eu avisei que uma matéria dessa importância não poderia ser dada em EAD, mas isso não adiantaria nada. Só massagearia o meu ego, após os alunos que foram para final, e os que não foram admitirem o quanto eu estava certo. Só que fui tão prejudicado quanto as pessoas das quais comemoravam a implantação de uma matéria em EAD. “Oba não precisamos ir a faculdade.” Ouvi e li muito isso. Faço o mesmo desafio para qualquer pessoa que teve essa disciplina neste semestre: faça um artigo científico! Duvido.
Este semestre foi muito turbulento para mim e digo que muito foi por minha culpa. Tudo bem que tivemos oito matérias, mas não me dediquei nem um pouco aos estudos. Nem sequer me dei ao trabalho de comprar caderno, caneta. Tive uma postura condenável. Voltei aos meus 14 anos, quando pela primeira vez fui para arecuperação. Mangueei tanto que fui para matérias como inglês (que sempre fui péssimo), matemática que sempre tive um bom desempenho e artes, além de desenho geométrico. Acho que fui o único... como alguém pode ir para recuperação de artes e desenho geométrico? Duas unidades de artes e mais duas de desenho geométrico e mesmo assim fui para final. Naquela época, eu ia para escola, ocupava um lugar na sala, mas não aprendia nada. Quando fui para a recuperação, estudava pela manhã, em casa, à tarde, na banca e quando chegava a noite se não estudasse teria que dormir. Nada de TV e o pior: sem vídeo game. O jogo teve muita influência por boa parte da minha vida, nos estudos então. Pensava que enquanto eu estava na escola, deveria estar no fliperama mais próximo.
No dia da prova valeu até a simpatia. O resultado de todo um ano de vadiagem seria dado apenas por uma prova. Lembro do desespero que fiquei quando tiraram a borra de vela da minha testa. Me ensinaram que era só colocar borra de vela na testa e amarrar uma fita amarela no pulso com o nome da matéria que pronto! Professor nenhum reprovaria. Naquela altura do campeonato, até mesmo se fosse para colocar uma melancia no pescoço eu faria.
Ainda bem que o susto de quase ter ido para uma final, me fez acordar a respeito do quanto a minha medida estava sendo prejudicial a mim mesmo. Sim, já que é para falar dos conflitos que eu tive nesse semestre, por que não falar das notas 0? Com professor na China afirmando que o trabalho não foi enviado e que por isso estávamos na final sem poder ao menos fazer a final. Depois de tanta correria e idas e vindas da coordenação, acabou que ele corrigiu a nota.
Em EAD, passei por este problema por duas vezes. Tanto no primeiro projeto, quanto no segundo, onde era apenas para corrigir os erros do primeiro projeto. Sabe-se lá como as notas diminuíram após a correção da qual ele mesmo nos orientou. E mesmo assim, minha nota só foi corrigida no sistema depois de muitas trocas de e-mails com os monitores.
Não tenho muito do que rir e muito menos tempo para pensar. No dia 21, as férias acabam e voltam às aulas. Faltam dois semestres para me formar e definitivamente não posso mais agir da mesma maneira que no semestre anterior. Desta vez, vou me opor a qualquer alteração de data da prova, entrega de trabalho. Não vou comemorar mais a cada prova não feita por falta de comprometimento com minha vida acadêmica.

*Alex Jordan tem 22 anos e é estudante de jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador-Ba. É colaborador do blog desde 2007.