| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 |
Acesse: http://murilogitel.blogspot.com

criado por Murilo Gitel
16:51:22Os campeonatos estaduais chegam a reta final nos dois próximos finais de semana. Com as excessões de Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados decididos no campo por clubes da capital: Flamengo x Botafogo - Cruzeiro x Atlético-MG, respectivamente, podemos afirmar que os demais grandes centros do futebol brasileiro confirmam a força do interior nas competições outrora monopolizadas pela tradição centralizadora de instituições tidas como "de primeiro nível".
Na Bahia, por exemplo, o campeão só será aclamado na última rodada da competição, no domingo que vem. Se o campeonato acabasse hoje, o Esporte Clube Primeiro Passo, de Vitória da Conquista (sudoeste baiano) levantaria a taça. Mas o emergente Itabuna também está no páreo, depois de ter goleado o Bahia na última quinta-feira. Vitória e Bahia - representantes da capital, terão que "suar sangue" se quiserem inverter a tendência que aponta para uma festa no interior no domingo.
Em São Paulo, reduto de expressões consideráveis do futebol brasileiro, como o próprio clube homônimo (atual bicampeão nacional), Corinthians, Palmeiras e Santos, os interioranos e por que não dizer 'caipiras' Guaratinguetá e Ponte Preta passaram a competição toda batendo nas potências. O resultado não poderia ser outro: a "macaca" campineira desbancou pelo menos três clubes da capital considerados favoritos para decidir o título estadual com o Palmeiras.
E no Rio Grande do Sul? Que gre-nal que nada! O Juventude, de Caxias do Sul - terra de bons vinhos e lindas loiras é a sensação do Campeonato Gaúcho. O alvi-verde da Serra eliminou o favorito Grêmio em Porto Alegre, em pleno estádio Olímpico e precisa apenas de um empate no próximo domingo, contra o Internacional, no Beira-Rio, para ser campeão; fato aliás que não é inédito: em 1998, tal feito foi uma realidade.
Então, eu pergunto: como explicar o sucesso dos clubes do interior nos campeonatos regionais?
A organização, sem dúvida, é um fator importante. As cidades do interior, obviamente, são menores do que as capitais. Quase sempre é mais fácil organizar uma estrutura micro do que uma macro. No interior, os empresários costumam interagir mais e participar mais também da vida social das pequenas cidades. Capitalizar investimentos nessas localidades torna-se fundamental e isso é feito. É válido ressaltar a motivação da população local, que compra a camisa do time da cidade, comparece aos treinos e jogos com mais facilidade (e segurança) do que os apaixonados da capital, interagindo, diretamente, nesses verdadeiros eventos/espetáculos que tornam-se as partidas de futebol.
Outro detalhe importante: no interior paga-se menos, mas paga-se em dia. Boa parte dos grandes clubes do futebol brasileiro estão quebrados porque perderam a credibilidade. Muitos jogadores preferem exercer a profissão em lugares onde eles têm a certeza de que receberão os salários na data combinada, o que não ocorre em instituições que prometem cifras cobertas de zeros e descumprem o combinado.
Penso que dessa forma, com a ascenção dos clubes do interior, o futebol brasileiro fica muito mais interessante. A descentralização do poder até então monopolizados pelos times da capital é uma realidade que faz com que o esporte mais popular do país fique muito mais democrático e atrativo. As federações estaduais têm a obrigação de fortalecer as agremiações interioranas, raramente evidenciadas pelos meios de comunicação centrados nas grandes metrópoles brasileiras. E a organização dos campeonatos precisa propiciar chances reais de luta pelos títulos, da parte dos interioranos, até o final das competições, ao contrário do que acontece no Rio de Janeiro e a exemplo do que ocorre hoje na Bahia.
Viva a festa do interior!

criado por Murilo Gitel
10:52:16

por Eduardo Ribeiro
No auge da Ditadura Vargas tornou-se comum, no País, a prática consagrada pelo velho DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda de "comprar" os jornalistas dos principais veículos com um segundo emprego no Estado - em geral melhor remunerado do que no jornal. Desse modo, o mesmo jornalista que de manhã escrevia o release do governo, à tarde o editava no jornal em que trabalhava e estávamos conversados. Com isso, poucas vezes em nossa História tivemos uma imprensa tão manipulada e adestrada aos interesses do poder, como naquela época. Era realmente uma vergonha e uma desmoralização não só para os profissionais, como para o próprio jornalismo, visto com justificada desconfiança pela sociedade.
Isso melhorou muito desde então, mas foi a partir da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional que o jornalismo no País ganhou credibilidade e deslanchou. Há um grande questionamento em relação a isso, hoje em dia, sobretudo depois da precipitada decisão da Justiça de conceder uma liminar contra essa obrigatorieade, mas é inegável que ela foi benéfica em vários sentidos para o jornalismo - inclusive por acabar com a história do compadrio, da troca de favores, do uso da carteirinha para fins escusos, dos vergonhosos salários, etc. Podemos ser contra ou a favor da obrigatoriedade, da rediscussão de caminhos para o acesso à atividade profissional, etc., mas é inegável que a exigência de formação superior trouxe para o jornalismo mais benefícios que prejuízos (embora estes também existam, sobretudo pela transformação do diploma numa commoditie e pela proliferação de faculdades sem qualificação pra formar profissionais competentes).
Mas esse é tema para outro artigo e (inflamados) debates numa outra oportunidade. Aqui, a proposta é refletir realmente sobre um tema que continua a atormentar aqueles que defendem uma imprensa livre, transparente, ética e capaz de exercer seu poder de crítica e fiscalização. É correto, é ético um profissional atuar numa assessoria de imprensa e num veículo de comunicação ao mesmo tempo? Nos momentos em que estive próximo às discussões no âmbito dos sindicatos dos jornalistas me lembro que chegávamos até a aceitar esta
hipótese, desde que as atividades se dessem em áreas diferentes (esporte e política, por exemplo), de tal modo que ficasse clara a inexistência de vínculos promíscuos. Mas essa prática, sobretudo quando o mesmo profissional atua nas duas pontas, numa mesma atividade sempre foi profundamente condenável. Sempre a condenamos, na história do segmento de assessoria de imprensa, por considera-la imoral e inaceitável dentro do jornalismo. A pessoa que faz um release, ou assessora uma ou várias empresas, não pode ser também profissional de redação, sobretudo se tiver um cargo que lhe permita manusear e editar informações da área em que faz assessoria. Mais condenável ainda é o profissional que está em redação e cria, paralelamente, uma assessoria para atender (formal ou informalmente) fontes de informação na qualidade de clientes. É um despautério, para falar o mínimo. Caso de polícia mesmo.
Todos sabemos que em várias regiões os salários, no jornalismo, também são uma vergonha, obrigando centenas de profissionais a buscar uma segunda e até uma terceira colocação, para sobreviver. Isso, no entanto, não justifica, sob qualquer hipótese, que ele se deixe corromper, valendo-se de sua condição de jornalista para auferir benefícios espúrios.
Os jornalistas, em seus vários fóruns têm lutado muito contra isso, por saber o perigo que traz para a imagem do jornalismo e para o próprio fortalecimento da democracia. Mas é ainda mais comum do que podemos imaginar a prática de pagar jornalistas (regularmente - via jetons ou mesmo salários) para abrir espaço para personalidades, empresas e autoridades governamentais. E é uma prática que vem a reboque dos baixos salários, da falta de visão empresarial de grande parte dos donos de veículos de comunicação, e de uma situação até cultural por nós vivenciada há décadas. Eu até compararia com a situação dos policiais, que ganhando um salário indecente, mostram-se vulneráveis nesse sentido.
Não quero aqui posar de moralista, mas considero importante trazer para nossa reflexão um tema que ainda muito nos incomoda. Em o faço motivado pela carta que recebi de uma colega de Brasília relatando o que lá - em plena Capital Federal - tem acontecido nesse sentido. E se for tudo verdade é uma vergonha. E cabe aos colegas que atuam em Brasília lutar para desmontar esquemas tão desmoralizantes. Diz a colega: "Está tendo uma epidemia aqui no mercado de Brasília, que considero uma vergonha. Gostaria de, reservadamente, saber sua opinião a respeito. Vários jornalistas de veículos estão abrindo assessorias de imprensa e atuando nas duas áreas simultaneamente.
1 - As representantes da revista... acabam de abrir uma assessoria de imprensa. Atendem personalidades da cidade e escrevem para a revista.
2 - Uma outra colega mantém uma coluna cultural numa importante emissora de tevê e tem uma assessoria especializada no mesmo segmento que cobre jornalisticamente: e "por mera coincidência" quase a totalidade do espaço de seu programa é dedicado aos seus clientes.
3 - Um outro colega, da área automotiva, tem coluna em dois veículos e - surpresa! - tem também sua empresa de assessoria de imprensa." Como a colega quer a minha opinião, eu digo que essa é uma situação realmente inaceitável e o mercado tem de combater com dureza, tanto em nome do próprio jornalismo quanto da boa prática de assessoria de imprensa. Temos aí o Código de Ética dos Jornalistas, aprovado em Congressos da Fenaj, e o próprio setor das agências de comunicação também têm o seu, aprovado recentemente em assembléia geral. São fóruns que estão aí exatamente para ajudar a coibir práticas inaceitáveis - seja em relação ao jornalismo, seja em relação ao negócio assessoria de imprensa.

criado por Murilo Gitel
11:42:47"O carnaval de Salvador está tão parecido com os dos outros anos, que até mesmo os figurinos mais ousados de Ivete Sangalo soam como inovação."
Foto: Iracema Chequer/Agência A Tarde
Eleita anualmente à musa do carnaval baiano, Ivete Sangalo despediu-se do circuito Barra-Ondina na tarde deste sábado.
Estive presente no segundo dia da folia de Momo em Salvador. À sexta-feira no circuito Barra-Ondina me pareceu menos turbulenta do que a de outras temporadas, muito provavelmente porque eu estive muito mais tempo no bar de meu tio Waldo, ao lado do Bradesco da Av. Oceânica, do que no fervo das multidões alucinadas pelos cinquentões do Chiclete com Banana e pelas pernas torneadas de Ivete Sangalo (foto), é claro.
É evidente que o evento momesco se torna inesquecível para aqueles que vêm a capital baiana pela primeira vez neste período. Mas eu duvido muito, sinceramente, que elas tornarão a cidade nos outros anos com o mesmo entusiasmo. Isso porque a impressão que tenho é a de que o carnaval de Salvador se repete anualmente em todos os âmbitos. São as mesmas músicas (salvo raras exceções), as mesmas manifestações, o mesmo mais do mesmo (perdoem-me mais esta repetição...) sem fim.
E sempre também os mesmos problemas estruturais. Foi no mínimo constrangedor observar as mulheres aborrecidas com a legião de homens (?) urinando sem pudor algum nos muros, postes e demais construções sólidas dos circuitos da grande festa. Muito por causa da escassez de sanitários químicos no evento, o que deveria ser obrigação da Secretaria Municipal de Saúde. E muito em decorrência da falta de educação, respeito e consciência higiênica.
Para não dizer que não falei das flores
Mas eu ainda tenho em mim um pouco da velha capacidade de apreciar a beleza das flores no deserto. Maravilhoso e inesquecível sim, o cantor-Ministro Gilberto Gil cantando emocionado o hino do Esporte Clube Bahia sob o comando do bloco Expresso 2222, em dueto histórico com o rei do suingue Jorge Ben Jor, que por sua vez, declamou não-menos emocionado o hino do Flamengo, time do seu coração.
Vi também belíssimas demonstrações de amor dos casais apaixonados, mesmo que estes estivessem se dividindo na ingrata função de segurar as cordas que garantem a segurança daqueles que ficaram com o pedaço doce do bolo da desigualdade das riquezas. E as expressões estupefactas dos "japoneses-pipocas" com a passagem da Timbalada? E a decepção de pavor-pânico do vendedor de churrasquinho quando constatou, por volta das 5h, que não vendera quase nada na noite passada?
Pois é justamente essa diversidade de fenômenos culturais que me deixam embasbacado com o que ocorre nesses seis dias de carnaval em Salvador. Eu fico extremamente atraído porque sou um ser ávido pelo descobrimento de novas experiências, pela apreensão de conhecimentos. Mas eu penso que as coisas podem ser ainda melhores. É que o carnaval de Salvador está tão parecido com o dos outros anos, que até mesmo os figurinos mais ousados de Ivete Sangalo soam como inovação.

criado por Murilo Gitel
18:55:39Neste último semestre de 2007, as professoras/jornalistas Agnes Mariano e Márcia Guena tomaram à frente do Fala Comunidade - jornal laboratório do curso de Comunicação Social das Faculdades Jorge Amado. O Fala é composto de matérias relacionadas À região da Estrada Velha do Aeroporto, em Salvador, historicamente desprestigiada pelo Poder Público e esquecida pelos meios de comunicação da capital baiana.
Além do jornal impresso, as nossas reportagens também estão disponíveis no blog do Fala Comunidade, onde temos mais opções de fotos e os textos integrais que não cabem nos limites naturais que o veículo que é gerado nas gráficas impõem. Como as edições 14 e15 saem do forno nos próximos dias, adianto, desde já, minha contribuição para o Fala Comunidade via mídia digital. Os editoriais de ambas as edições também são de minha autoria.
Artigo de Opinião: Dignidade Espancada
Reportagem sobre educação em Novo Marotinho
Enquete: O que você mudaria na saúde do seu bairro caso fosse a autoridade responsável?

criado por Murilo Gitel
12:30:19