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criado por Murilo Gitel
16:51:22
Arte Gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba
Por Alex Jordan
Não que minha vida esteja essa maravilha toda, nem maravilha está. Tá legalzinha... Dá para quebrar um galho, pegar um cineminha quando encontro alguém que esteja interessada em ir, o que tem sido difícil, e quando encontro, acabo assistindo filmes dos quais não gosto como “Jogo de Amor em Las Vegas” (nem lembrava o nome, recorri ao Cadê para deixá-los bem informados), “Viagem ao Centro da Terra” (quê graça tem assistir um filme que é 3D se não pode vê-lo em 3D?), “Dot.com” (filme de comédia portuguesa, preciso falar mais alguma coisa?) e “Arquivo X” (embora eu goste da série é inegável que foi o pior filme que assisti este ano). Sim, antes que me pergunte, preferi a comédia romântica.
O único filme que salvou nessas férias foi “Batman - O Cavaleiro das Trevas”. Realmente o filme contou com atuações impecáveis de Christian Bale (Batman) Gary Oldman no papel do tenente Jim Gordon, Aaron Eckhart como o promotor público Harvey Dent, que depois... Não, não irei contar (hushushus) e o tão comentado Heath Ledger, do qual nem é preciso dizer qual era o seu papel no filme. O quê! Você não sabe? Sinto muito então, vai continuar sem saber, não assiste TV não é? Mas ainda faltam muitos filmes para eu assistir.
Voltando ao que eu queria explicar no inicio do texto e acabei me empolgando, e fugindo completamente, embora minha vida não tenha melhorado significativamente, aquelas coisas que sempre aconteciam comigo saíram de férias também. Logo, tenho encontrado muita dificuldade para ter sobre o que escrever. Então falarei das coisas que não atingem apenas a mim, mas a uma grande parte de pessoas (hushushus), o popular “todo mundo no mesmo buraco” (sem segundas intenções para os empolgados).
Li uma matéria que falava de um projeto de lei que obrigaria os feirantes a não vender mais bananas por dúzia ou cacho, mas por quilo. Com a medida, o valor não será mais “a preço de banana” uma vez que ficará quase duas vezes mais caro, sendo vendidas a peso. Não entendeu? Vou colocar para a nossa realidade, uma vez que a lei só atingirá São Paulo, por enquanto.
Lembra-se do tempo em que o pão era 10 centavos e que não pesava no orçamento de casa? Pois é, depois entrou aquele papo de que o pão teria que ter 50 gramas e que isso não estava ocorrendo. E com esse argumento, em vez de fiscalizar as padarias, as obrigaram a vender o pão por peso. Resultado, o preço subiu mais do que quando tinha a crise do trigo na Argentina, e quem acabou entrando pelo cano? Eu! Só que não fui o único, uma vez que esse é um dos alimentos mais consumidos por nós, brasileiros, devido a nossa tradição cristã.
Posso citar mais um caso, do qual não me ferrei sozinho, só que este nem se deram ao trabalho de inventar uma desculpa, o Salvador Card. Antes você tinha o seu Smart Card, que lhe permitia pagar metade da tarifa nos ônibus metropolitanos de Salvador. Para ter um, precisava ser estudante e passar por todos aqueles processos burocráticos, além de pagar um valor que não me recordo no momento. O Smart não parecia ser tão esperto e alguém tido como João Bobo acabou nos fazendo de palhaços.
Paralisação de ônibus, depredação, estudantes nas ruas, mas não teve jeito, pagaram meia antecipada para ir aos quintos.
Para a história do cinema fazer sentido, ou então não fazer sentido algum, vou contar como acabei dançando com esse Salvador Card. Antes, como recebia diariamente o dinheiro do transporte, pegava carona ou dependendo do lugar iria a pé. Resultado, um dinheiro que era pouco, mas, juntando durante a semana já garantia um cinema. Êta cara que só vai a cinema! Como parei de beber, não me resta muitas opções para levar alguém para se distrair um pouco. Juro que torci a favor do cartão esperto, não por que beneficiava a mim, mas por que não tinha lado negativo da história. Já o cartão que leva o nome da capital baiana é excludente. Eita! É ironia demais para mim. Nós merecemos!
*Alex Jordan tem 22 anos e é estudante do sétimo semestre de Comunicação Social com ênfase em Jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador-Ba. É coloaborador do Blog desde 2007.

criado por Murilo Gitel
19:49:48
Arte gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba
Por Alex Jordan*

Desrespeito: página do MSN destaca times que estão atrás do Vitória na tabela.
Pouco antes da final da Copa do Brasil entre o Sport Recife e o Corinthians, o jornalista Luciano do Valle fez críticas ferrenhas a colegas de profissão (com e sem diploma) que mantêm a postura de que o nosso país se resume apenas ao estado de São Paulo. A cada dia, mais pessoas percebem essa tendência paulista. Antes era comum ver apenas nordestino reclamar de tal atitude, falo isso porque sou baiano e não conheço outra região, ainda.
Com a explosão de blogs, onde cada um escreve o que bem pensa sem passar por censura, edição e outras atividades que acabam modificando a idéia original, passei a ver muitos cariocas protestando contra a cobertura dada por emissoras televisivas aos times do Rio de Janeiro. Segundo eles, os times paulistas ganham uma cobertura diferenciada (privilegiada).
A prova disso é todo o estardalhaço que se faz com o “timão”. Quando o alvinegro paulista perdeu o campeonato para o “Leão da Ilha”, por exemplo, Cléber Machado consolou a torcida do Corinthians, desrespeitando o mérito do time da capital pernambucana. O Corinthians perdeu, não foi o Sport que ganhou...
Sem mencionar o desespero de Cléber quando o rubro negro fez o segundo gol. Se você, caro leitor, ainda acha que estou exagerando, abra o site do MSN após um dia de jogo do time de maior torcida do estado de São Paulo. Verás que não estou mentindo. Lá vai estar uma bela foto de algum jogador comemorando um gol, com uma manchete do tipo: “confiram o resultado do Corinthians, e os outros jogos da segunda divisão”, ou seja, o Corinthians e os demais times da Série B, que por sinal só começou a ter certa atenção, depois que os times paulistas começaram a cair da primeira divisão.
Não estou aqui protestando contra o time, mas, sim, contra a maneira da qual os meios de comunicação noticiam determinados clubes paulistas.
O Vitória está fazendo uma campanha brilhante, (sou Bahia: que isso fique registrado), e que atenção eles deram? Procuram qualquer outro assunto, mas não mencionam a campanha surpreendente do “segundo maior time baiano” e único representante do estado na série A. Eles o ignoram completamente. Não é exagero de minha parte. Vejam esta foto da página inicial do site! Tem foto do São Paulo, que está a três pontos do time da Bahia, mas o Vitória, cadê?
Gostaria de saber até quando vai continuar esse desrespeito. Antes, argumentavam que a discriminação era por conta da migração, e agora? Jornalistas, empresas que dizem ser profissionais fazem esse tipo de coisa. Não é exagero, é a gota d’água. Cansa ver esse tipo de atitude e ficar quieto. E sei que minha indignação é a mesma de pessoas de todos os estados do país. Não quero saber de audiência, de números, de Ibope.
Se não conseguem ser imparciais com o esporte, que credibilidade tais empresas podem ter quando o assunto é mais sério.
Quantas vezes ouvi, li e vi matérias sobre Macapá, por exemplo? E vocês, viram alguma vez? E sobre Rio Branco, Mato Grosso, Palmas? Quando é que vamos ser bombardeados com a tríplice nacional: São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
O país é grande, por tal razão não pode noticiar fatos de todos os lugares? Fica o desafio para estimular a criatividade nesse tempo em que o interesse sobre jornais cai em toda parte do mundo, e junto com ele, a credibilidade dos veículos de comunicação.
Antes que alguém venha dizer que esse texto é xenófobo, digo que é justamente o contrário, pois nele pretendo mostrar e mostro com exemplos reais essa exclusão que já se tornou comum. Não me importa os interesses de Luciano do Valle ao fazer tais críticas. Ao menos não neste texto, mas sim o que ele disse.
Tais jornalistas deveriam ter se atentado que eles têm compromisso com o público e que hoje em dia não cabe mais a frase feita “contra fatos não há argumentos”. Pois existem várias maneiras de se mostrar um fato, a que espero ver é a mais responsável e respeitosa possível.
*Alex Jordan é natural de Salvador, tem 22 anos e cursa jornalismo nas Faculdades Jorge Amado e ou Centro Universitário Jorge Amado e ou Unijorge. Colabora com o blog desde 2007.

criado por Murilo Gitel
16:21:01Por Murilo Gitel
Janaína foi o amor mais intenso e menos vivenciado da vida de Guilherme. Conheceram-se da forma mais inusitada, num ponto de ônibus de Porto Alegre, em um mês de julho gelado, como não deveria deixar de ser. Ela contava 31 anos de idade, ele 25. Ela lia Nietzsche, Lia Luft e aquele cara que tem mania de conectar todas as coisas, o tal do Capra. Ele preferia as Aventuras de Tin-Tin, as Mil e Umas Noites e as aventuras do Asterix. Ela torcia para o Internacional. Ele gremista doente. Ela Imperadores do Samba, ele Bambas da Orgia.
No entanto, se Machado de Assis já ressuscitara Shakeaspere ao lembrar que “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”, digo eu, modestamente, que algo em comum parecia querer unir aqueles seres tão díspares. Nesse quesito, a Linha T3 da Carris seria pioneira.
-Boa noite! Faz muito tempo que tu estás aqui no ponto? Perguntou Guilherme.
-Boa noite! Não muito. Acho que há uns 10 minutos.
-Barbaridade! Vou perder o jogo... Constatou o gremista desolado.
-Se é o do Grêmio, tá 1x0 Botafogo. Respondeu a bem-informada colorada, com um sorriso no rosto.
Guilherme não teria notícia melhor do que aquela durante aquele dia difícil, mas gostou do sorriso de Janaína. Esperto, procurou prolongar a conversa.
-Bah! Sério? Como é que tu sabes?
-Eu estava ouvindo no intervalo da faculdade, ainda agora.
-Ah, sim. Então, além de muito simpática, tu és gremistona? São duas qualidades...
-Agradeço o elogio quanto à simpatia, mas do segundo mal eu não sofro. Eu sou colorada.
-Não acredito. Colorada? Uma moça tão bonita... Mas, se o teu time não joga hoje, porque estavas ouvindo o jogo do Grêmio?
-Porque quando o Inter não joga, faço questão de secar o rival.
-Era só o que me faltava! Exclamou Guilherme, perplexo. Além de colorada, secadora oficial do Grêmio...
Ambos sorriram, depois da bem-humorada discussão futebolística. Cerca de 10 minutos depois, surgira o T3, lotado como sempre, apesar do novo sistema de bilhetagem eletrônica.
Guilherme e Janaína moravam, coincidentemente, na região da Avenida Oscar Pereira e foram conversando bastante, sobre variados assuntos, naquele fatídico dia em que se conheceram a exemplo de todos os outros dias seguintes.
Observador, embora ainda bastante inexperiente, o rapaz foi percebendo uma série de virtudes louváveis em Janaína, uma raridade de pessoa em tempos de capitalismo excessivo e de tanta futilidade. Ao mesmo tempo, a humildade de Guilherme, somada a uma notória sede pelo conhecimento demonstrada pelo garoto chamava muito a atenção de Janaína, cada vez mais apaixonada por ele. Para completar, ambos eram bonitos e faziam um casal perfeito, a exemplo daqueles que vemos nos seriados norte-americanos.
Como estudavam na mesma faculdade e primavam pela discrição, ambos iniciaram o romance. Tudo sem alardes, com pouca pompa ou divulgação nos Orkut’s da vida. Para a cena do primeiro beijo, parecia que um cenário havia sido criado. Foi na altura da Glória, nas proximidades da Casa do Artista Rio-Grandense, ao lado daquele orelhão verde que até hoje fica na esquina com a farmácia. Janaína morava naquela rua. Guilherme dois pontos depois, mas pedira para descer ali, ao lado dela, naquela noite. Eram quase 21h. Com um medo terrível de tomar um fora, ele chegou perto de Janaína e perguntou: - posso? Ao que ela respondeu, depois de falar numa fração de segundo com a própria consciência: - Era tudo o que eu queria ouvir... – Você pode!
E eles se beijaram demoradamente, longamente, loucamente.
O tempo passou e a paixão de Janaína e Guilherme foi ficando mais intensa. Depois de seis meses, Guilherme era um misto de felicidade e tristeza simultâneas, ao receber uma notícia de um primo que morava em Fortaleza. Era uma boa proposta de emprego na capital do Ceará, mas tudo deveria ser ajeitado em menos de uma semana, no mínimo de tempo possível.
Com o coração na mão, porém, decidido, Guilherme aceitou as passagens enviadas pelo primo e anunciou a notícia a Janaína, que, num primeiro momento, fez de tudo para não demonstrar estar arrasada, esboçando um sorriso sem sal e algumas frases previsíveis, do tipo: -Guilherme, não se preocupe, se será melhor para você, não pense muito, vá!
E ele foi sem jamais tirar do peito aquele grande amor.
E ela ficou, abatida, pelo fato de mais uma vez ter ficado sem aquele que julgava ser o grande companheiro de sua vida. Mas não esboçou nenhum esforço para largar tudo e ir embora com ele, o que realmente não é tão fácil assim.
Em pouco tempo, Guilherme teve grandes conquistas tanto na área profissional quanto na estudantil.
Já Janaína, permaneceu estagnada, agora sem mais conseguir esconder uma profunda mágoa com o ex-amado, que surgiu aparentemente do nada em sua vida, provocou um verdadeiro vendaval e em pouco tempo depois sumiu do mapa, para nunca mais voltar.
Em oito anos de distância, depois de uma série de telefonemas, cartas e e-mails trocados, Janaína, aconselhada por amigas, estava realmente decidida a dar uma nova guinada em sua vida, esquecendo o amor platônico por Guilherme e procurando uma nova metade com o objetivo de ser feliz.
Foi quando recebera um e-mail de Guilherme, que anunciava retornar pela primeira vez ao Rio Grande do Sul, depois da súbita partida. Ele queria revê-la, nem que fosse a última vez. Mas, Janaína estava indubitavelmente decidida a não alimentar mais qualquer sentimento pelo rapaz, evitando qualquer tipo de contato. Ela respondeu a mensagem eletrônica com as seguintes palavras:
-Guilherme, oito anos não são oito dias. Não me mande mais nem os links dos seus textos, porque eu não os leio e, para ser sincera, não gosto deles. Por favor, não me procure mais.
Guilherme ficou desolado. Leu a resposta do e-mail e viajou para Porto Alegre. Ficou mais de 20 dias em sua terra de natal, revivendo na memória os mesmos lugares em que passeara com Janaína durante todo aquele tempo em que se amaram muito. Não viu Janaína em nenhum desses dias, embora tivesse a procurado no bairro em que ela ainda mora, ao menos pela vidraça dos ônibus da Carris.
No aeroporto, ao retornar para o Nordeste, ele chegou à conclusão de que até mesmo o amor – o mais nobre e intenso dos sentimentos é motivado por alguma forma de interesse, uma espécie de disfarce que as pessoas perseguem como se fosse um horizonte distante, mas possível e vital para aquilo que algumas pessoas chamam de “felicidade”.
E completou: ela esteve durante todos esses anos mais preocupada com a solidão pessoal dela, do que com o meu desenvolvimento e bem-estar. Ou seja, sempre se preocupou mais com ela do que comigo, em vez de pensar mais em nós dois, em nossa relação, portanto, não irei mais me olhar no espelho como um criminoso, frio e desumano.
Oito dias depois, ele escrevera o roteiro de sua primeira peça, intitulada: “O Amor Nada Mais é do que o Interesse Bem-Vestido”.

criado por Murilo Gitel
23:10:05O grande problema do Brasil, não se enganem vocês, não é a miséria, tampouco a pobreza disseminada por uma suposta ausência de recursos naturais.
Isso porque o nosso país não é miserável, nem pobre ou desprestigiado de dádivas da natureza. Não, o Brasil é rico em todos os sentidos, mesmo que boa parte de todas as nossas fortunas possíveis sejam desviadas pelos chacais da corrupção - este por sua vez, um mal secular que nos assola, mas, pasmem: ainda os políticos corruptos não são o nosso mal maior a ser combalido e/ou restabelecido.
Por incrível que isso possa parecer, somos auto-sustentáveis em petróleo, ao contrário dos norte-americanos que precisam 'plantar' guerras no Oriente Médio para roubar o ouro negro que jorra naquelas bandas do Mediterrâneo. Mais do que isso, temos a Amazônia, fonte quase que inesgotável de água (ouro incolor e inodoro do 3º milênio) e milhões de hectares de terras produtivas.
Visitei a Fase, recentemente, e para quem ainda não sabe, trata-se do nome bonitinho que inventaram para a Febem. Segundo me informaram, 90% dos jovens internos da instituição têm sérios problemas de relacionamento com o pai, isto quando possuem qualquer relação com o genitor... Eles não assassinam e roubam, simplesmente, unicamente, porque nasceram maus. Lembram-se do sequestrador daquele ônibus 174, no Rio? O Sandro, que seria morto asfixiado pela polícia a caminho da prisão foi um dos raros sobreviventes da chacina da Calendária, nos anos 90. Nunca teve a atenção merecida por uma criança. Sempre se sentiu um ninguém.
O grande problema do Brasil, meus amigos, é a falta de amor. O 'boom' do capitalismo faz com que as pessoas cada vez mais vivam para ganhar mais e mais dinheiro, negligenciando assim valores vitais para o bom desenvolvimento das relações humanas. Exemplos disso nós vemos todos os dias, seja na classe média decadente que maltrata os seus funcionários suburbanos, seja nas camadas mais desfavorecidas da sociedade, onde muitas vezes os crimes tentam justificar um ódio reprimido por conta da desigualdade social histórica.
A motivação que um Daniel Dantas tem para roubar um milhão dos cofres públicos é o amor pelo dinheiro que muitos de nós alimentamos, e que vem a ser o desamor.
Se Renato Russo me permite: "E hoje em dia: como é que se diz eu te amo?"

criado por Murilo Gitel
18:43:42