Blog do Murilo Gitel

Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.

Blog do Murilo Gitel

Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.
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Terra Blog

Categoria: Soterópolis

17.07.08

Reconhecimento

"A massa que faz o pão/ vale a luz de teu suor [...]" - Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Quando se trabalha muito em um ambiente dotado de uma estrutura ainda em desenvolvimento, é natural que haja um esforço acima do normal nas atividades realizadas. Estou no Galícia Esporte Clube há 14 meses, onde estou colocando em prática um projeto de comunicação midiática integrada via Brasil/Espanha.

Durante esse período até os dias de hoje, sou o responsável pelo conteúdo do site oficial do azulino - primeiro tricampeão baiano de futebol, um dos clubes mais tradicionais da região Nordeste, mas que nos últimos 15 anos vive um momento difícil, na segunda divisão do campeonato estadual e com o patrimônio físico necessitando de reformas.

Além do site oficial, criei um blog na internet com conteúdo jornalístico relacionado ao time fundado pela colônia espanhola de Salvador em 1933. Tudo isso sem contar a cobertura dos jogos e a divulgação do Galícia nos meios de comunicação esportivos da imprensa soteropolitana - historicamente centralizadora (leia-se  preferência explícita por Bahia e Vitória).

Nesta semana, uma simples, mas carinhosa homenagem virtual me deixou extremamente emocionado. São torcedores do clube que criaram um post na comunidade do Galícia no site de relacionamentos Orkut, intitulada: "Parabéns, Murilo" - um reconhecimento ao trabalho que venho realizando e que me faz participar, modestamente, da reestruturação da instituição Galícia.

Desenvolver um trabalho destes em clubes sólidos fisicamente como o São Paulo, o Internacional e o próprio Vitória nunca me pareceu difícil, mas colher frutos cheios de perspectivas em uma estrutura necessitada de reparos é um grande desafio.

Palavras de reconhecimento, abraços sinceros e telefonemas de agradecimentos são estímulos simples, de gente humilde, mas que jamais irei esquecer.

 

29.05.08

Acarajé, direita e esquerda por Aninha Franco


A dramaturga, advogada e escritora Aninha Franco.

Texto publicado na sétima edição da Revista Muito, do Grupo A Tarde.

"Esquerda e direita na Bahia diferem gastronômica e misticamente. A esquerda come acarajé com pimenta em Cira. A direita prefere acarajé com caruru em Dinha"

As diferenças entre direita e esquerda foram assentadas na Revolução Francesa e destrinchadas em Rumo à estação Finlândia, livro de Edmund Wilson. Lênin desembarcou na estação Finlândia em 1917 e assumiu o mais importante poder de esquerda do mundo até 1992, quando a União Soviética pediu dinheiro ao extremo-capitalismo do FMI pós-queda do Muro de Berlim em 1989.

No Brasil, até 1986, as histórias eram mais simples: quem era de direita mandava bater e quem era de esquerda apanhava, e pelo menos dois golpes de Estado foram aplicados sob a alegação de que a esquerda queria trocar de lado. Para a esquerda a direita era má, corrupta e comia operários; para a direita, a esquerda era má, comia criancinhas e usava cuecas samba-canção, homônimas do gênero musical que usava versos como “você há de rolar como as pedras que rolam na estrada” que me remete sempre a “pedra que muito se muda não cria limo jamais.”

Quando as duas maravilhas do mundo à esquerda — Muro de Berlim e União Soviética — caíram, esquerda e direita se embaralharam pelo planeta, e hoje é preciso muita perspicácia para perceber as diferenças. O poeta Giorgio Gaber aponta como a dessemelhança mais profunda entre direita e esquerda italianas o fato de a direita tomar banho de banheira e a esquerda preferir a ducha. Esquerda e direita na Bahia diferem gastronômica e misticamente. A esquerda come acarajé com pimenta em Cira. A direita prefere acarajé com caruru em Dinha.

Quando a esquerda vence, festeja a vitória no Largo de Santana, território de Dinha, patrimônio da Bahiatursa, parte da “herança maldita” que direita e esquerda usam com a mesma veemência ao fim dos seus mandatos. Os terreiros que direita e esquerda freqüentam são tão confidenciais quanto os gastos dos cartões corporativos da presidência da República, por isso poucos sabem se eles ficam em Salvador ou no quadrilátero dos terreiros, em Lauro de Freitas. E onde há ebó, dossiê não progride. A esquerda baiana pretende exterminar a “Era do balangandã” inaugurada pela direita na Igreja do Bonfim, com lavagem em data imprecisa, que antropólogos de esquerda e de direita reivindicam em meio a calundus de centro...

Os especialistas em baianidades garantem que existe uma extrema-esquerda feminina na Cidade da Baía que mija em pé, como as freiras da Lapa que eram, em sua maioria, de extrema-direita. O fato delas mijarem em pé está garantido no cancioneiro popular de “as freiras da Lapa só mijam em pé, não mijam sentadas porque não quer”... Do resto eu não sei... Conta a lenda que a Baía é a cidade das mulheres...

07.05.08

Alex Jordan dá uma aula de Baianês no Eu Mereço


arte gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba

Por Alex Jordan*

"Então, se vier a minha terra me visitar, não se surpreenda caso você se bata com um piva, parecendo um donha, correndo pelo passeio, segurando um classificador amarelo e com um mísse no cabelo, gritando: “ô figura: vamu pegar um rango prá tirar a lara”. Ai é só você alegar que tá de maresia, para não dá pala de 'mulher fácil'."

Devido a fatos desastrosos que envolvem outras pessoas, na verdade, outra pessoa, eu prefiro neste momento não escrever a respeito do meu final de semana, que até o último sábado estava indo muito bem obrigado!

Então o que fazer, já que não vou escrever sobre nada de ruim? Eu disse há algum tempo que eu iria mudar um pouco e essa coluna parece mais o jornalismo sensacionalista baiano que eu tanto repudio, que só mostra miséria, como se a vida na “Cidade da Bahia” se resumisse as tragédias anunciadas aos berros na porta do Hospital Geral do Estado. Vou aproveitar então a minha empolgação com semiótica e comentarei algumas palavras comumente usadas no meu sertão (Boca do Rio).

Por qual palavra eu devo começar... Já sei, devido a convivência com “mequetrefe” (leia-se Murilo Gitel), eu sempre o escuto reclamar da falta de lógica dos nomes que alguns objetos recebem aqui em Salvador, então vou começar por “passeio”, que aqui pode ser uma caminhada em algum lugar ou a própria calçada. Isso mesmo leitores de outros estados: aqui em Salvador (não me arrisco a dizer que é em toda Bahia por falta de provas) passeio pode ser calçada.

Outras palavras que ele sempre reclama é mísse (nem sei se é assim que se escreve, mas é assim que se fala. Não é minha intenção fazer comercial de curso de inglês com o uso do slogan, apenas saiu). O misse, antes que vocês explodam de curiosidade é nada mais, nada menos que o grampo de cabelo. Temos também o “classificador”. Algum de vocês sabe o que é um classificador? Querem a ajuda de um universitário? Vou dar quatro opções:
a) O mesmo que pasta?
b) O profissional responsável por arquivar documentos?
c) O mesmo que jurado?
d) Ou um doce muito difundido na culinária baiana feito com coco, açúcar e leite condensado?
A resposta virá no próximo bloco.

Vou passar para um outro estágio: gírias das ruas. “Donha” por acaso, é aquele indivíduo que todos enganam, resumindo, um otário. O “piva” por sinal é quando você vai chamar alguém do qual não sabe ou não quer chamar pelo nome (porque o nome da pessoa é muito grande, aí da aquela preguiça...) pode ser substituída por “maluco”, “véi” e “broder”. Tanto piva quanto véi, são reduções dos nomes originais, fenômeno gramatical que acontece nas ruas da capital baiana. Piva vem da palavra pivete enquanto o véi, de velho.

Algumas palavras não têm explicação, ou se têm, eu desconheço, como é o caso de “pala”. Essa merece um outro jogo com quatro perguntas. Pensando bem, vai deixar o texto chato, é melhor explicar logo. Pala, nada mais é que demonstrar algo, geralmente por descuido. Serei mais claro, você vai a uma festa e começa a pagar bebida para todo o mundo, logo, você tá dando pala de que está com dinheiro. Ou então fica fazendo todas as vontades de uma mulher, ou de um homem (eu sei lá dos teus costumes...) Você nesse caso, dá pala de que está apaixonado, ou interessado, amando...

Outra palavra que desconheço a explicação do outro significado é “figura”. Aqui essa palavra é o mesmo que namorada, ou simplesmente mulher. Já o verbete “lara” é mais um representante das palavras que nada mais é que a diminuição de outra, nesse caso “larica”. Não sabe o que é larica? É fome. Só que tenho uma leve impressão de que essa gíria não é baiana, assim como rango (comida), que também não sei a naturalidade desta palavra, mas o que importa é que ela se difundiu no vocabulário soteropolitano. Em outros lugares, bater é sinônimo de agressão, mas aqui na boa terra é o mesmo que encontro, mas só ganha este significado se precedido de “se”.

Depois de escrever algumas linhas a maresia (preguiça) atacou. Vou encerrar esse texto por aqui. Então, se vier a minha terra me visitar, não se surpreenda caso você se bata com um piva, parecendo um donha, correndo pelo passeio, segurando um classificador amarelo e com um mísse no cabelo, gritando: “ô figura: vamu pegar um rango prá tirar a lara”. Ai é só você alegar que tá de maresia, para não dá pala de “mulher fácil”.

*Alex Jordan tem 22 anos e estuda jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, em Salvador-Ba. É colaborador do blog desde 2007.

09.12.07

E tem reportagem do blogueiro no Youtube


Ao navegar na internet, descobri no Youtube uma de minhas primeiras reportagens trabalhando na televisão. A matéria foi feita em dezembro do ano passado e eu tive a oportunidade de entrevistar um duo de transformistas baianos que fazem o maior sucesso na Europa: Paulo Fraga e Pedro Costa. Se o amigo leitor quiser conferir, basta clicar no link abaixo ou clicar na seção "Vídeos" em minha página do Orkut:

Reportagem de Murilo no Youtube
Murilo no Orkut