Blog do Murilo Gitel

Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.

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Uma mistura de literatura e jornalismo. Editor responsável: Murilo Gitel - estudante de Comunicação Social com Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado, estagiário na TVE-BA e na Assessoria de Imprensa do Galícia Esporte Clube.
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Terra Blog

Categoria: Oriente-se

17.07.08

Eu mereço!


Arte gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba

Por Alex Jordan*


Desrespeito: página do MSN destaca times que estão atrás do Vitória na tabela.

Pouco antes da final da Copa do Brasil entre o Sport Recife e o Corinthians, o jornalista Luciano do Valle fez críticas ferrenhas a colegas de profissão (com e sem diploma) que mantêm a postura de que o nosso país se resume apenas ao estado de São Paulo. A cada dia, mais pessoas percebem essa tendência paulista. Antes era comum ver apenas nordestino reclamar de tal atitude, falo isso porque sou baiano e não conheço outra região, ainda.

Com a explosão de blogs, onde cada um escreve o que bem pensa sem passar por censura, edição e outras atividades que acabam modificando a idéia original, passei a ver muitos cariocas protestando contra a cobertura dada por emissoras televisivas aos times do Rio de Janeiro. Segundo eles, os times paulistas ganham uma cobertura diferenciada (privilegiada).

A prova disso é todo o estardalhaço que se faz com o “timão”. Quando o alvinegro paulista perdeu o campeonato para o “Leão da Ilha”, por exemplo, Cléber Machado consolou a torcida do Corinthians, desrespeitando o mérito do time da capital pernambucana. O Corinthians perdeu, não foi o Sport que ganhou...

Sem mencionar o desespero de Cléber quando o rubro negro fez o segundo gol. Se você, caro leitor, ainda acha que estou exagerando, abra o site do MSN após um dia de jogo do time de maior torcida do estado de São Paulo. Verás que não estou mentindo. Lá vai estar uma bela foto de algum jogador comemorando um gol, com uma manchete do tipo: “confiram o resultado do Corinthians, e os outros jogos da segunda divisão”, ou seja, o Corinthians e os demais times da Série B, que por sinal só começou a ter certa atenção, depois que os times paulistas começaram a cair da primeira divisão.

Não estou aqui protestando contra o time, mas, sim, contra a maneira da qual os meios de comunicação noticiam determinados clubes paulistas.
O Vitória está fazendo uma campanha brilhante, (sou Bahia: que isso fique registrado), e que atenção eles deram? Procuram qualquer outro assunto, mas não mencionam a campanha surpreendente do “segundo maior time baiano” e único representante do estado na série A. Eles o ignoram completamente. Não é exagero de minha parte. Vejam esta foto da página inicial do site! Tem foto do São Paulo, que está a três pontos do time da Bahia, mas o Vitória, cadê?


Gostaria de saber até quando vai continuar esse desrespeito. Antes, argumentavam que a discriminação era por conta da migração, e agora? Jornalistas, empresas que dizem ser profissionais fazem esse tipo de coisa. Não é exagero, é a gota d’água. Cansa ver esse tipo de atitude e ficar quieto. E sei que minha indignação é a mesma de pessoas de todos os estados do país. Não quero saber de audiência, de números, de Ibope.

Se não conseguem ser imparciais com o esporte, que credibilidade tais empresas podem ter quando o assunto é mais sério.
Quantas vezes ouvi, li e vi matérias sobre Macapá, por exemplo? E vocês, viram alguma vez? E sobre Rio Branco, Mato Grosso, Palmas? Quando é que vamos ser bombardeados com a tríplice nacional: São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

O país é grande, por tal razão não pode noticiar fatos de todos os lugares? Fica o desafio para estimular a criatividade nesse tempo em que o interesse sobre jornais cai em toda parte do mundo, e junto com ele, a credibilidade dos veículos de comunicação.

Antes que alguém venha dizer que esse texto é xenófobo, digo que é justamente o contrário, pois nele pretendo mostrar e mostro com exemplos reais essa exclusão que já se tornou comum. Não me importa os interesses de Luciano do Valle ao fazer tais críticas. Ao menos não neste texto, mas sim o que ele disse.

Tais jornalistas deveriam ter se atentado que eles têm compromisso com o público e que hoje em dia não cabe mais a frase feita “contra fatos não há argumentos”. Pois existem várias maneiras de se mostrar um fato, a que espero ver é a mais responsável e respeitosa possível.

*Alex Jordan é natural de Salvador, tem 22 anos e cursa jornalismo nas Faculdades Jorge Amado e ou Centro Universitário Jorge Amado e ou Unijorge. Colabora com o blog desde 2007.

09.07.08

O meu Partido é um coração partido...


Nesta quarta-feira (9) fui informado, por telefone, que estou ameaçado de ser expulso do Partido Comunista do Brasil (Pc do B), do qual sou filiado desde os 16 anos de idade, por conta de desavenças recentes com o PC do B baiano, depois de ter repudiado o apoio da sigla à candidatura do petista Válter Pinheiro a prefeitura de Salvador.

Tudo isso porque eu defendo uma utópica independência do partido aqui na Bahia. Tudo isso porque eu penso que o PC do B já possui condições para deixar de lado esse estado de prostituição aqui no estado. Por que apoiar o PT se o PT não nos apóia quando precisamos e só pede o nosso braço amigo quando precisa? Nas últimas eleições municipais, por exemplo, o PC do B foi fundamental para a eleição de João Henrique, que, por sua vez, traiu o nosso apoio pedindo de volta às pastas que havia confiado aos comunistas. Os petistas se calaram, assistindo tudo de camarote.

Temos deputados na Assembléia Legislativa, temos vereadores na Câmara Municipal, enfim, conquistamos uma importante representatividade ao longo dos anos de trabalho. Então, eu pergunto: por que não lançar a candidatura de Olívia Santana? Para que se submeter ao apelo do PT baiano? Só se for para ser traído novamente. Mas o objetivo dos 'líderes' do PC do B aqui de Salvador é outro: eles apóiam Valter Pinheiro com o objetivo de ganhar secretarias estratégicas caso o mesmo seja eleito neste ano. Quem nos garante que não irão pedir as pastas de volta?

Caso os líderes do PC do B da Bahia fossem menos covardes e mais inteligentes, lançariam candidatura própria, independentemente do resultado, como fará o partido no Rio Grande do Sul com a jovem deputada Manuela D'Ávila, que será candidata à prefeita de Porto Alegre.

No mais, eu não tenho receios quanto a uma possível expulsão, porque a minha história como militante do partido é muito maior do que tudo isso.

Eu tenho muita vergonha do PC do B baiano. O Partido aqui é uma prostituta que criou condições para deixar essa vida, mas que se conformou, pela comodidade de "ganhar algum" vendendo o corpo em qualquer esquina, para um vagabundo qualquer.

06.07.08

Eu Mereço!

 

 


Arte Gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba

Por Alex Jordan*

Aviso logo aos de estômago fraco que este texto a seguir possui cenas escatológicas. Eu pensava que esta crônica seria sobre Andressa Soares, vulgarmente conhecida por Mulher Melancia. Para meu azar não é dela que vou falar, quem sabe na próxima?
Se os escritos estivessem sendo feito à mão, provavelmente estaria trêmulo e ilegível, tamanho o estado de sono que eu me encontro. E não perdi noite em agitação ou farra, quem me dera tivesse sido este o caso!
Saí do serviço às pressas na esperança de pegar o ônibus. Às 18h12 já estava no ponto e para meu azar o ‘buzú’, que normalmente passa às 18h15 já tinha passado, ou seja, teria que ficar uma hora aguardando o próximo chegar. Aquilo era um sinal de que toda a minha má sorte havia chegado de suas curtíssimas férias. Despercebido, não dei muita atenção para o fato do ‘buzão’ ter se adiantado três minutos.
Cheguei a casa, tomei banho e cochilei no sofá. Acordei banhado de suor e sonolento. Fui ao banheiro para mais uma vez ir para o chuveiro. O fato a seguir, se fosse um filme, teria como trilha sonora a canção Privada Entupida, do poeta das insutilezas do mundo contemporâneo, Rogério Skylab.
Assim que saí, me deparei com o vaso e um presente boiando. Assim como Skylab ficou injuriado em sua música, eu também estava. Ao dar a descarga, se apresentou a mim a besta do apocalipse, direto do intestino de alguém anunciando o fim dos tempos. Chegou por meio de um dilúvio, borbulhando as águas que eram mais apavorantes do que as de março, subiam com uma velocidade inacreditável, tipo aquela onda do longa mar em fúria, sabe? Em poucos segundos tudo transbordou.
Eu queria estar vestido com as roupas e as armas de Jorge, ou quem sabe uma roupa de mergulho, ou ter um barco, uma barbatana, guelras, MEU DEUS, eu não queria estar ali! Porém, o que me restou foram uma toalha enrolada na cintura e um rodo do qual tangia a fera e abria o caminho do mar marrom. Era a visão do inferno, quando o monstro parou de investir contra mim seu líquido assassino, só me restou limpar a bagunça que ele causou.
De início, juro por deus que pensei: “é pegadinha, onde está a câmera escondida? Pode sair daí, eu sei de tudo”. Só que isso era apenas o meu desejo de não ter que limpar tudo aquilo. Que presente de grego me deixaram. Deveria ter aprendido aquele ditado, quem pariu Mateus que balance e limpe as suas fraudas. Não tinha nada que terminar o serviço que começaram. Mas, como o último que paga a prenda, lá fui eu ter que dar conta de tudo aquilo.
Estou com dores nas costas até agora de ter ficado escorrendo a água (se é que poderia chamar aquilo de água) para o ralo. Depois de ter me livrado visualmente daquela árdua batalha, coloquei detergente, uma garrafa no chão. Em seguida cloro, sabão, ácido e todos os componentes de uma “Bomba H”. Passei a madrugada tentando fazer com que o cheiro que ficasse naquele chão, apagasse da minha mente aquele atentado na madrugada.
Acabei recordando de que quando eu era criança, deitava no chão do banheiro por causa do cheiro do Pinho Sol. Pensei no quanto eu era uma criança nojenta. Como poderia deitar no chão do banheiro? Como diz um amigo meu: “ou ele é muito limpo ou muito sujo”. A frase solta parece não ter significado, mas se enquadra perfeitamente nesse fato. Sempre falava essa frase por causa de um outro amigo, pois sempre que íamos a sua casa, ele estava no toilet. Acho que nem a menina do nariz de algodão ficava tanto tempo no banheiro quanto ele. Logo, esse amigo sempre dizia isso.
Quando terminei de lavar, o cheiro dos produtos químicos invadia a vizinhança. O sono tinha ido embora, e pensei: é mulher melancia, não vai ser desta vez que vou escrever em sua defesa. Algo bem inusitado, afinal sou contra esse processo de vulgarização da mulher, com algumas exceções, lógico. O texto que seria sobre fruta, se tornou... Bem você sabe no que se tornou!

*Alex Jordan tem 22 anos. É estudante do sétimo semestre de jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador-Ba. Colabora semanalmente com o blog desde 2007.

02.07.08

De volta à Bahia

Como foram bons esses 20 dias aqui em São Paulo. Está certo que também trabalhei desde que cheguei aqui, na maior metrópole da América Latina, atualizando o site oficial do Galícia duas horas por dia, mas, de forma geral, pude descansar bastante em relação aos estudos, além de conhecer melhor a cidade e, principalmente, as pessoas deste complexo lugar.

Nesta quinta-feira, às 23h59, embarco em Guarulhos, rumo à Salvador, onde devo desembarcar por volta das 2h45 de sexta. É evidente que vestirei branco, em homenagem a Oxalá. À tarde, já de volta ao 'trabalho presencial', viajarei com a delegação do Galícia até Dias D'Ávila (a 56Km da capital), onde os juvenis do clube disputam a Copa 2 de Julho, o que deve se repetir no sábado (5) e no domingo (6). As férias na faculdade seguem até o dia 20.

O brasileiro precisa conhecer melhor o Brasil. Penso que existem diversos 'Brasis'. A Rede Globo de televisão, filha mais próspera da ditadura militar, procurou moldar o país ao seu jeito/interesse, nos últimos 40 anos. Muitos de nós, satisfeitos e/ou conformados, aceitamos a moldura da vênus platinada, acreditando que a nação e as pessoas que a compõem nada mais são do que tudo aquilo que a novela das oito retrata diariamente.

A classe média brasileira, formada pelos "filhos de caboclos que querem ser ingleses" é um bom exemplo disso. Conhece a Grécia, conhece os Estados Unidos e o leste europeu, mas não conhecem o Brasil. Desconhecem que até mesmo a nata da filosofia grega foi extraída dos árabes e que as estratégias de organização militar dos romanos foram piamente copiadas dos persas. Pensa que conhece a História. Pensa que conhece o Brasil.

As viagens e as conversas com as pessoas, vivenciando o dia-a-dia das mesmas são as ferramentas capazes de aprofundar o conhecimento sobre as várias culturas. Eu desconheço a intelectualidade limitada e cega, que não transita entre o erudito e o popular, negligenciando o diálogo em relação as diferenças. Não posso vir a São Paulo e retornar para Salvador sem conhecer a realidade do Morumbi e do Capão Redondo, dos Jardins e do Brooklin, de Higienópolis e de Paraisópolis.

Posso conversar com a elite tomando café na Livraria Cultura, da Paulista, bem como ouvir o que os chineses da pastelaria Osasquense têm a dizer, tudo em um mesmo dia. O mesmo pode ser feito na Salvador dos contrastes e em qualquer outro lugar do mundo. Para o blogueiro, todos esses contatos e sensações são indescritíveis, difíceis de ser transpostos em palavras.

Mas as pessoas na sala de jantar estão preocupadas em nascer, casar, ter filhos e morrer, apenas.