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criado por Murilo Gitel
16:51:22
Arte gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba
Por Alex Jordan*
Meu cabelo sempre foi uma das coisas que mais chamam a atenção em mim, só perdendo para a minha magreza. Tenho tantas histórias sobre minhas madeixas, quanto fios de cabelos, quer dizer, tinha...
Quando criança, meu cabelo sempre foi o “Black” a la Jackson Five. Nunca me causou nenhum problema. Talvez, esse tenha sido o motivo pelo qual sempre o deixei crescer. Quer dizer, tive um problema com ele sim, era gurizinho e peguei os famosos piolhos. Foi um terror. Não sei por que a equação criança + escola sempre tem como resultado os piolhos. Nem assim cortei o cabelo. Recordo-me de minha mãe me xingando, passando o conhecido pente fino e se admirando com o tamanho dos bichos. A coceira que dava era insuportável e denunciava o meu estado. Na primeira coçada já era dado o alerta vermelho. As demais pessoas corriam para um local seguro (um abrigo antiaéreo) e depois de muito tempo vinha minha mãe com uma roupa anti-radiação e catava os piolhos. Em alguns momentos, ela me deixava sozinho para tomar um ar.
Algumas vezes, cortava o cabelo e não me acostumava com o fato de sentir a água tocando a cabeça diretamente, era muito estranho. Outra coisa que se tornou o meu Transtorno Obsessivo Compulsivo (Toc) foi à mania de passar a mão no cabelo, no sentido contrário. Isso dava uma sensação de espinho e sabe lá o porquê, não parava de fazer isso. Tive vários anos de sessões em um psicólogo para perder essa mania. Na verdade, não gastaria dinheiro à toa. Psicólogo de pobre é o melhor amigo. Ouve tudo meio sem saco e no final diz algo que já sabia. Li certa vez que conselho é aquilo que você pergunta, mas já sabe a resposta, mas não quer ouvir. E no meu caso, bastaram algumas chineladas e adeus toc!
Esse não foi meu único toc com relação à peruca, apelido que ganhei de uma menina de quatro anos que jurava que ele não era real, quando comecei a usar tranças no cabelo e elas cobriam o meu rosto, dava uma jogada na cabeça para o lado entortando-a para a trança sair do meu campo de visão. Pouco tempo depois, parecia que eu estava fazendo um passo da coreografia de Thriller, de Michael Jackson. Sem perceber comecei a fazer esse gesto mesmo estando com o cabelo trançado. Algumas pessoas confundiam o ato com um ataque epilético.
Uma vez encostei em uma árvore e a resina (sem sacanagem) grudou no meu cabelo. De início, pensaram que era chiclete, pois o troço não sai de jeito nenhum e disseram que eu teria que cortar o cabelo. Não tinha mais problemas com o fato de cortá-lo, já que isso ajudava no processo de socialização. Nessa época passei a pentear o cabelo com uma ‘pata pata’, isso era o máximo. Quando o cabelo crescia não dava mais para usar o pente de nome engraçado e eu não penteava mais. Depois de muitas tentativas, em um ato de loucura minha mãe jogou azeite de dendê no meu cabelo. Pensei que fritaria um acarajé em minha cabeça e a ofereceria a Iansã, mas para minha surpresa a resina saiu, mas deixou o cheiro do azeite. Eparrêi!
Estudei com um colega que tinha muita habilidade com desenho. E o hobbie dele era fazer caricatura dos amigos de sala. O desenho que e retratava nem preciso dizer era um sujeito magro jogando vídeo game e com um cabelo imenso, onde tudo saia dele, que nem o capitão caverna. A diferença é que os objetos que o Capitão Caverna guarda não ficam a mostra. É... Pouca coisa mudou daquela época para hoje.
Mas com certeza a história que mais marcou minha vida com relação a cabelo foi meu moicano. A cabeleira imensa e eu só esperando as aulas acabarem. Fui à casa de um amigo e pedi para ele fazer este corte. Ao sair na rua com o cabelo raspado apenas dos lados, ouvia cada coisa, até de rastafari e Bin laden me chamavam (ele mesmo, o “terrorista” que ficou famoso depois dos atentados do dia 11 de setembro de 2001 e que em minha rua ganhou um corte radical). Agora, como eles sabiam que ele era adepto do moicano, uma vez que ele só aparece em público de turbante.? O resultado desse estilo foi uma expulsão de casa. Ainda me lembro meu pai mandando eu nem entrar e minha mãe aos prantos, que soluçava perguntando a deus o que ela fez para merecer aquilo. Puxa, esqueceram de me avisar que cortar cabelo daquele jeito era crime com punição de expulsão do convívio familiar. A reação foi bem pior do que a dos tempos de piolhos.
Mas minha história capilar está longe do fim. Há quase seis anos que não corto, devido ao choque que levei ao ver a foto da carteira de trabalho com a cabeça pelada. Pode parecer estranho, mas o que mais me fez sentir negro não foi o meu tom de pele, mas o meu cabelo. Ao acordar e vê-lo bem para cima com cara de sono eu percebo que aquilo é uma das maiores características de uma das minhas etnias.
O último fato relacionado a ele foi quando minha irmã me aconselhou a passar uma tal de Guanidina no cabelo para retirar o volume. Caí na besteira e comprei o tal produto que vinha com um símbolo da radioatividade estampado no pote. Realmente reduziu o volume, ficou fácil de pentear (o que sempre foi o meu problema e coisa que nunca fiz durante a infância). Depois, trancei e neste final de semana resolvi tirar as tranças. O cabelo quebrou todo e metade dele saiu como um sujeito com câncer. Resultado: realmente o produto reduziu o volume, mas não da maneira que eu gostaria. Vou encerrar essa história por aqui ou esse texto vai ficar maior do que os fios de cabelo que restaram em minha cabeça.
Fale com o Alex: revolucionario341@hotmail.com
*Alex Jordan tem 22 anos e é estudante de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador-Ba. Colabora semanalmente com o Blog desde 2007.

criado por Murilo Gitel
20:54:02
Caboclo pediu, Alabê tocou acaba de ser finalizado. Este é o meu primeiro filme. Trata-se de um documentário concebido inicialmente para ser um trabalho acadêmico, mas que ganhou ares fílmicos graças ao profissionalismo da colega e editora Daiane Sales. As imagens registram uma sessão de caboclos - entidades espirituais indígenas e sertanejas, realizada no primeiro semestre deste ano, no terreiro de Candomblé Ilê Axé Teodomin (Nação Ketu), na localidade de São João do Cabrito, bairro de Plataforma, Subúrbio Ferroviário de Salvador.
Além da direção do curta, o blogueiro atuou como repórter cinematográfico. Mas o trabalho não existiria sem uma equipe competente formada pelos também futuros jornalistas Alex Jordan (colunista do Blog), Clara Corrêa, Daiane Sales, Michelle Brazil e Uilton Conceição.
O principal objetivo de Caboclo pediu, Alabê tocou é tornar pública a importância dos alabês nos rituais do Candomblé. Eles são os responsáveis pelos toques de atabaques e todos os demais instrumentos musicais que tenham a capacidade de evocar Orixás, Caboclos, Eguns e todos os demais guias. É a relação destes toques com os pontos cantados, somados com o ritual em si que formam o foco do nosso doc.
Numa cidade formada por mais de 80% de negros, atrás em todo o mundo apenas de Lagos-NIG é curioso que a ignorância reine quando o assunto são os rituais oriundos da ancestralidade do continente africano. Pelo menos nos últimos três séculos têm sido assim. O homem branco demoniza os cultos dedicados aos deuses da África e as igrejas católicas e pentecostais povoam o imaginário de crentes alienados por meio de mitificações segregadoras, em se tratando de Século XXI.
Daí a importância da obra. Um muito obrigado bem especial ao Babalorixá João Carlos Ferreira, ao alabê Antônio (Pai Grilo), ao caboclo Raio de Sol, ao Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), ao cineasta e professor Serafim Corrêa, aos frequentadores do terreiro Ilê Axé Teodomin, moradores do bairro de Plataforma e ao curso de Comunicação Social do Centro Universitário Jorge Amado, na figura do coordenador Bernardo Carvalho.
Em breve no Youtube!

criado por Murilo Gitel
21:14:20As imagens registradas através de um celular de um cinegrafista amador chocam. Era um ponto nem tão movimentado de Salvador. Era uma blitz de agentes da Superintendência de Engenharia e Tráfego (SET) na noite desta quarta-feira, 30. Era um cidadão como nós, pagador de impostos, sendo agredido aos empurrões e tapas por autoridades que deveriam orientá-lo, quem sabe multá-lo, caso estivesse infringindo alguma lei do Código Brasileiro de Trânsito.
Nada justifica tamanha violência. Independentemente do que aquele motorista tenha falado aos agentes/bandidos/covardes/selvagens (e ao que parece sequer os ofendeu), as atitudes que vimos nos principais telejornais da capital baiana por parte dos funcionários de um órgão público municipal são aterradoras. A que ponto nós chegamos. Nós, que nos julgamos civilizados...
Em nota divulgada no início da tarde desta quinta-feira, 31, a SET informou que irá abrir uma sindicância para apurar o que foi que aconteceu, de fato, naquela abordagem infeliz de ontem à noite.´
E é bom que identifique os agressores, que eles sejam demitidos e entregues à polícia, indenizando a vítima, se não quiser que passemos a chamá-la de Superintendência de Empurrões e Tapas.

criado por Murilo Gitel
20:28:47
Arte Gráfica: Zeca de Souza/TVE-Ba
Por Alex Jordan
Não que minha vida esteja essa maravilha toda, nem maravilha está. Tá legalzinha... Dá para quebrar um galho, pegar um cineminha quando encontro alguém que esteja interessada em ir, o que tem sido difícil, e quando encontro, acabo assistindo filmes dos quais não gosto como “Jogo de Amor em Las Vegas” (nem lembrava o nome, recorri ao Cadê para deixá-los bem informados), “Viagem ao Centro da Terra” (quê graça tem assistir um filme que é 3D se não pode vê-lo em 3D?), “Dot.com” (filme de comédia portuguesa, preciso falar mais alguma coisa?) e “Arquivo X” (embora eu goste da série é inegável que foi o pior filme que assisti este ano). Sim, antes que me pergunte, preferi a comédia romântica.
O único filme que salvou nessas férias foi “Batman - O Cavaleiro das Trevas”. Realmente o filme contou com atuações impecáveis de Christian Bale (Batman) Gary Oldman no papel do tenente Jim Gordon, Aaron Eckhart como o promotor público Harvey Dent, que depois... Não, não irei contar (hushushus) e o tão comentado Heath Ledger, do qual nem é preciso dizer qual era o seu papel no filme. O quê! Você não sabe? Sinto muito então, vai continuar sem saber, não assiste TV não é? Mas ainda faltam muitos filmes para eu assistir.
Voltando ao que eu queria explicar no inicio do texto e acabei me empolgando, e fugindo completamente, embora minha vida não tenha melhorado significativamente, aquelas coisas que sempre aconteciam comigo saíram de férias também. Logo, tenho encontrado muita dificuldade para ter sobre o que escrever. Então falarei das coisas que não atingem apenas a mim, mas a uma grande parte de pessoas (hushushus), o popular “todo mundo no mesmo buraco” (sem segundas intenções para os empolgados).
Li uma matéria que falava de um projeto de lei que obrigaria os feirantes a não vender mais bananas por dúzia ou cacho, mas por quilo. Com a medida, o valor não será mais “a preço de banana” uma vez que ficará quase duas vezes mais caro, sendo vendidas a peso. Não entendeu? Vou colocar para a nossa realidade, uma vez que a lei só atingirá São Paulo, por enquanto.
Lembra-se do tempo em que o pão era 10 centavos e que não pesava no orçamento de casa? Pois é, depois entrou aquele papo de que o pão teria que ter 50 gramas e que isso não estava ocorrendo. E com esse argumento, em vez de fiscalizar as padarias, as obrigaram a vender o pão por peso. Resultado, o preço subiu mais do que quando tinha a crise do trigo na Argentina, e quem acabou entrando pelo cano? Eu! Só que não fui o único, uma vez que esse é um dos alimentos mais consumidos por nós, brasileiros, devido a nossa tradição cristã.
Posso citar mais um caso, do qual não me ferrei sozinho, só que este nem se deram ao trabalho de inventar uma desculpa, o Salvador Card. Antes você tinha o seu Smart Card, que lhe permitia pagar metade da tarifa nos ônibus metropolitanos de Salvador. Para ter um, precisava ser estudante e passar por todos aqueles processos burocráticos, além de pagar um valor que não me recordo no momento. O Smart não parecia ser tão esperto e alguém tido como João Bobo acabou nos fazendo de palhaços.
Paralisação de ônibus, depredação, estudantes nas ruas, mas não teve jeito, pagaram meia antecipada para ir aos quintos.
Para a história do cinema fazer sentido, ou então não fazer sentido algum, vou contar como acabei dançando com esse Salvador Card. Antes, como recebia diariamente o dinheiro do transporte, pegava carona ou dependendo do lugar iria a pé. Resultado, um dinheiro que era pouco, mas, juntando durante a semana já garantia um cinema. Êta cara que só vai a cinema! Como parei de beber, não me resta muitas opções para levar alguém para se distrair um pouco. Juro que torci a favor do cartão esperto, não por que beneficiava a mim, mas por que não tinha lado negativo da história. Já o cartão que leva o nome da capital baiana é excludente. Eita! É ironia demais para mim. Nós merecemos!
*Alex Jordan tem 22 anos e é estudante do sétimo semestre de Comunicação Social com ênfase em Jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador-Ba. É coloaborador do Blog desde 2007.

criado por Murilo Gitel
19:49:48